terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dog Days Are Over





Finalmente sinto uma paz brutal ao fim de um ano e seis meses precisamente... o tempo de facto mostra sempre o caminho porque nunca recua... medo tenho daquilo que construi como base do meu futuro próximo... estabilidade pessoal brutal... o reconhecimento do meu eu nos outros... afinal sou capaz sozinha, afinal sou autosuficiente... não voltarei a quedar como outrora... enfim deixa-me apreensiva confesso... mas sinto que se um dia isto que sou eu tiver de ser de alguém será muito melhor, porque eu sou mais hoje... tenho mais hoje para oferecer...



Ouvir gostava de me apaixonar por ti... um dia hei-de apaixonar-me por ti... mesmo que não aconteça faz-me crer que a minha escada continua o caminho pelo qual foi lançada... tem dias que sabe a pouco... e se não fores tu So. azar... há-de ser de alguém... se não for também pouco importa! porquê? porque no fundo já é meu!



Ao final de 28 anos de momentos vividos, partilhas, lágrimas, risos... sinto-me capaz... sinto que uma miúda com aspecto pouco comum pode ser alguém que os outros olham com respeito e consideram como capaz... nunca duvidei daquilo que sou, sempre questionei que alguém conseguisse dar o real valor... chego à conclusão que não é preciso mostrar, é preciso fazer sentir... lutar mesmo quando o medo se instala...



Semana em que ousei ser eu e me deu o que eu merecia...



Tu meu ser tonto... gosto-te muito, sem pressuposto... porque quando me encontraste eu estava bem só... contigo é estupidamente confortável... o amanhã é apenas isso o amanhã...



Estou no auge da minha existência... consegui!!!



No outro dia a R. abraçou-me e disse-me: "Miúda quem te viu e quem te vê! Confesso que duvidei que conseguisses voltar a sorrir assim... Tenho mesmo bué orgulho em ti!"



Necessidade de marcar os pontos altos destes 18 meses, não existe ordem de importância porque me é difícil organizar.... mas vou escrever ao ritmo do pensamento, como sempre:



Ouvir alguém que abdica do meu amor, és o ser que ama mais belo!



Ouvir alguém dizer, quando te conheci parecias um bicho e agora não consigo existir sem ti!



Sentir que há pessoas que me procuram independentemente do tempo que passe de ausência porque sabem que aqui podem ser elas próprias.



Sentir que as pessoas com as quais me cruzei se tornaram pessoas melhores, mais conscientes e que sempre que me abraçam me fazem sentir o peso da minha presença na vida delas.



Ouvir alguém dizer que abdica dos meus serviços, vai ser mais difícil para nós conseguirmos uma colaboradora como a V. do que a V. um emprego melhor. Isso efectivamente acontecer!



Ver o meu trabalho reconhecido, sem fazer questão de o mostrar explicitamente!



Conseguir andar sozinha na rua entre a multidão, sem nada dever a ninguém, sem nada exigir de ninguém...



Conseguir estar de cabeça levantada mesmo sabendo que me vão olhar de lado e mudar opiniões sem nada dizer, apenas permanecer...



Encontrar o prazer de estar só... com as minhas telas, com a minha música, com os meus pensamentos, com a minha escrita...



Sou tão mais hoje... Consegui!



A única grande questão amar-ei como já amei? Acredito que sim... tenho tudo... vou ser mesmo bué feliz... já falta pouco...

Manhã de sábado a explorar a serra de Sintra como nunca antes explorada! Amei...

Por mais estupido que possa parecer, escrevo-me para me reler... no outro dia reli por ordem cronológica e reencontrei-me... e sei o caminho que une todas as paragens aqui...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tão ou mais perdida que tu ser tonto...

"Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito."

Charles Chaplin
Já não sou quem era... ou talvez seja... não temo amar, não temo viver, não temo voar, não temo caminhar, não temo o rídiculo... definitivamente ouso ser quem sou, um ser inseguro, um ser carente, um ser ingénuo, um ser transparente... mas tenho medo de amar quem tem medo dele... quem não sabe o que ele é... perder-me no enredo de um amor alimentado por iniciativa unilateral, só pela sensação não desistas porque vais fazer bem aquela pessoa e ela vai ser para ti o que desejas... já passei por isso, foi brutal, mas uma pessoa que diz que quer voar mas não voa por iniciativa própria ira quedar mais tarde ou mais cedo nas suas prisões... prisões que não fazem parte de mim, que não existem em mim...
Aprendi a ser feliz sozinha durante este ano e meio e que passou... o existir à toa por mim... sem ninguém a quem partilhar nada... não ter o recurso de expressar nada, nem o bom, nem o mau... caminhar no silêncio dos dias ao som dos meus pensamentos, falar sozinha, aconselhar-me sozinha... seguir o meu eu e o meu outro eu...
É bom ter-te So., é bom poder deixar os meus dedos escorregarem nas teclas do telemóvel ao ritmo do meu pensamento, trocar a minha bic e a minha moleskine... materializar-me em ti... mas não me sinto acompanhada... sinto que "exiges" que te acompanhe, eu dei, dou isso... sou assim um ser que se anula perante a necessidade do outro... mas preciso de alguém que me sinta e que me acompanhe sem eu "exigir", porque eu não o sei fazer... mas é tudo o que eu preciso!

Domingo foi demasiado intenso para este ser pequenino... não me peguem ao colo, não me deixem chorar no ombro... não me acolham, senão eu aninho-me... foi o que rejeitei... não posso voltar a iludir-me, não posso voltar a quedar-me ao colo de alguém que um dia vai partir e quando precisar vou ter de me aninhar sozinha numa rua fria, isolada, sobre mim própria...
Gosto daquela pessoa... gosto muito mesmo... vontade de a raptar e ensinar-lhe, mostrar-lhe o caminho que eu vejo... sinto que tem potencial para ser em pleno... mas está presa... ainda não percebi bem a origem... mas como a maioria dos seres, está no exterior a prisão, a dualidade de colmatar necessidades antagónicas...
Vou permanecer... porque sou um ser que não desiste das pessoas até elas desistirem de si próprias...

sábado, 4 de setembro de 2010

Eu

Ser perdido que és V. a sério tão perdido pah!
Choro bué hoje sozinha na minha cama sem sentido de ser... o sono transcende a lógica... os olhos não quedam em sono profundo... quero paz não a encontro... serei sempre um ser inquieto?
Fodasse desculpem mas apetece-me espancar tanto... só quero ser feliz... só quero ir onde me chamo... a cabeça não pára porque?!
Ñão consigo deixar que me peguem ao colo... não permito que cheguem perto.... apetece-me tanto evaporar para uma realidade diferente... porque complicamos?!

Onde anda a minha ingenuidade? aqui, deitada a meu lado....

Sou um ser completamente desenquadrado do real... afastem-se de mim enquanto podem... não faço bem a ninguém...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gosto-te

Entraste no meu mundo, reviraste aquilo que mais receava, a minha capacidade de dar sem proposito... sinto-me em piloto automático da criança que há em mim... aí vai a V. sem razão... medo confesso ter... sinto que tanta coisa em mim permanece que deixa o sabor amargo do receio de tudo se possa repetir, mas por isso permaneço porque só assim fui feliz, só assim levantei um dia os pés do chão, incorro do mesmo registo... dar, ir, sonhar, caminhar...

Hoje a F. disse-me V. tu tem calma contigo, já estás a abrir demais o teu mundo, encolhi os ombros, mas F. não sei reinventar-me, se está aqui tem de sair...

Inquieta-me porque no fundo não quero perder a minha serenidade, a minha paz... mas quero tanto chegar mais longe nesta viagem...

STOP por mais luminoso que seja há momentos que a V. não se permite parar... este é um deles...



Não me mostres o teu lado feliz
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho

Não me abras assim o teu mundo
O teu lado solar só dura um segundo
Não e por ele que te quero amar
Embora seja ele que me esteja a enganar

Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar

Desvenda-me o teu lado malsão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e ruínas de amor

Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
à prova de bala à prova de tudo

Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo e tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso

Não é por ela que te quero amar
Embora seja ela que me vai enganar
Se mostrares agora o teu lado lunar
Mesmo às escuras eu não vou reclamar

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Smells the same

A viagem continua vou apercebendo-me do percurso que sigo... continuo bem comigo... estranha a sensação de que nunca irei ser acompanhada... o encanto mantém-se por aquilo que sinto e nutro ser possível, sem pressuposto... mas já me dei de mais sinto... já me sinto perdida na ausência... não quero... quero não pensar em alguém... não estou ainda no momento de falar...
Quero tanto voar para uma realidade diferente... saltar do abismo de mão dada a alguém... diálogo antes com alto sorriso:
- Amor e se não tivermos asas fortes?
- Temos, acredita temos!
- Sim, vamos...
- Agora!
Saltar em conjunto e manter as mãos unidas e asas suportar-nos-ão no voo...
Hoje estou estranhamente triste... estranhamente inquieta... estranhamente estranha!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Viagem

Tenho medo de o ter... evito-o...
Ainda não consigo pôr por palavras aquilo que já percorri, nesta viagem que sinto que não embarquei sozinha... o tempo irá dar-me o descernimento para organizar tamanha informação em curto espaço de tempo...
Um dia fizeram-me uma pergunta, que na altura me deixou a pensar, "Que anseias mais numa dúvida: a resposta ou a espera dela?"...
As questões, as dúvidas são a minha sombra... "Encontro uma resposta, descubro duas questões!"... fase de dúvidas e questões que não me permito colocar a mim própria porque sei que não é tempo de ouvir a resposta... apercebo-me hoje que aquilo que mais desejo é a espera da resposta... elas vão surgir, gosto de saborear o percurso que o meu ser toma na procura das tão desejadas respostas... era mais fácil colocar a questão e resolver a dúvida... sim era, mas era fugaz, era pouco fundamentado, pouco sentido, pouco vivido...
As dúvidas nascem da insegurança imensa que me circunda... mas sigo confiante...
Agradeço-me por me ter permitido entrar em mais uma viagem... o comboio parou na estação onde há muito me encontrava sentada... passaram muitos, pararam imensos, entrei neste... porquê? encolho os ombros, não sei... não sei... ainda não encontrei a resposta... pouco importa o porquê... neste momento sei que estou... quando se entra num comboio à toa há momentos em que ficas tenso, estranho, questionas... "mas para onde me leva?!"... "não vi para onde ia!"... seja para onde for e da insegurança que tenha, tenho a confiança que dele se tiver que sair, sairem como entrei, comigo, de pé... mesmo que tropece no degrau da saída levantar-me-ei, porque sei quem sou! E depois para quê pensar sobre... quando ao meu lado se sentou a companhia ideal para esta viagem?! Enquanto o comboio não pára... partilhamo-nos em amena tranquilidade... é bom... é muito bom...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Delirio no Alentejo

As tão desejadas férias já são passado... mas foram um marco importante no meu ser...
Sinto-me pura... sinto-me estranha a falar de mim devo confessar... mas a forma como percorro o mundo, a forma como o exploro e me deixo explorar... a forma como as pessoas entram na minha bolha, a forma como me olham depois de terem entrado... tenho orgulho naquilo que construi...
São 28 anos de uma vida cheia de histórias que não faço questão de contar em passado, partilho intensamente o presente...
Há coisas que não se perdem, fazem parte da construção daquilo que é presente hoje...
Na quinta-feira passada um re-sentir de coisas... o tão sonhado objectivo vê-se revelado numa conversa não antecipada com o S., o fazer-me sentir e pensar ali no presente as minhas limitações, a minha falta de terra, a minha pouca prisão as coisas, a minha necessidade brutal de estabilidade, a minha dificuldade em me prender a algo material, o meu percurso esvoaçante pela vida, a minha responsabilidade desorganizada... obrigada S. por fazeres parte... o que te disse nessa tarde, como tudo o que te disse é real, aconteça o que acontecer, vou sempre precisar de ti, nunca te abandonarei... sinto muito o "peso" daquilo que sei que sou para ti, tenho medo por tanto saber quem sou... um ser extremamente independente... caminho bué só... transporto todos comigo, mas não faço questão efectiva que me acompanhem... já nos imaginámos como casal. já nos imaginámos como pais de um ser belo, já nos imaginámos sócios de um negócio com futuro... já nos imaginámos de várias formas, já extrapolámos a nossa "limitada" relação para patamares superiores porque temos de facto tudo para sermos um casal perfeito, uns pais perfeitos, uns sócio perfeitos, porque no fundo temos de base a relação perfeita... disseste-me hoje temos respeito e liberdade um do outro... amo-te é muito pouco disse-te um dia, digo hoje pela segunda vez... preciso-te!!
A consolidação através do sorriso do outro... bué importante aquela conversa em final de tarde, sem cobranças, sem questões exploratórias, no fundo o que eu desejava estar sentada à frente dela no presente e olhá-la com um sorriso, quero-a bem a cima de tudo, se a minha ausência ajuda, a minha ausência dar-lhe-ei, até porque para mim é mais saudável também... hoje percebo ou consciencializo que efectivamente não podemos ser amigas... porque já fomos muito mais e há coisas que não se ultrapassam... precisava de perceber porque... acho que percebi... foi belo! Até já sem amanhã S.
Sines foi a viagem a que me propus... sem uma base de apoio, ai fui eu entre pessoas conhecidas mas que ainda me são desconhecidas, sempre acompanhada de uma liberdade plena... vivi bué, ri, chorei, andei, mergulhei... enfim mais uma viagem alucinante para não dizer mesmo delirante... dificil escrever sobre o meu fim de semana...
De volta ao mundo real... primeiro dia, olá... bora lá faço questão de dizer... cada vez mais consciente daquilo que me rege o vento, cada vez mais consciente daquilo que preciso da terra...

"Por isso não digas nada, o silêncio até pode gritar dentro de nós, o pó ter comido a cor das memórias, as traças terem comido a macieza dos gestos, as palavras podem gastar-se por não serem ditas, talvez se não as dissermos se gastem tanto que desapareçam, as borboletas morrem depressa."
A frase das minhas férias... no silêncio das palavras não ditas fica o sabor que lhe queres dar... o meu sempre doce...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Gosto vs Liberdade

Cansada... há quase dois meses que só penso em férias... destino ideal sem pessoas, eu, o tempo e uma tela... destino está marcado... porque finalmente consegui os tão desejados dias... e lá irei eu...

Esta ansia insessante por um retiro espiritual tem sido confrontada com a dificuldade de o antecipar... porque quanto mais foges mais acasos acontecem...

Falar de do meu ultimo mês e meio seria um tédio porque as histórias a contar são sempre emocionantes como se de capitulos de um livro pouco interessante com o titulo de "Os Acasos de V. P."... seria uma ironia melodramática... que até a mim protagonista principal enfada...

Sinto necessidade de reler os dois ultimos capítulos:

Penúltimo Capítulo

A paz almejada sente-se... semana de pura paz eu, a minha casa, a minha música, o meu silêncio, a minha moleskine, as minhas tintas... quando tudo parecia perfeito o turbilhão, os encontros casuais, o estar na rua, as pessoas estarem cá dentro... o depósito de informação adicional... a tentativa de fuga... a impossibilidade imposta de fugir... viver, viver tudo como sempre... se é para ir bora toda... fui, parti como sempre em cima de mim... caminhar para um sitio onde já vi várias séries da minha vida... reviver tudo... sozinha no meio desse espaço nunca antes tao cheio... chorar, rir, cantar, dançar, quedar nas estrelas que são as únicas que permanecem para além de mim... partir como entrei sem olhar para trás à procura de algo, já tinha tudo... o prazer da primeira vez de Peaches... o ir à procura de mim no S. revejo o ser, o confronto com aquilo que preciso de responder, o sentir o prazer de um dia perfeito nos olhos do ser e pensar não sabes quem eu sou...
Como sempre o que vivido em liberdade plena tem condicionantes que são as liberdades e prisões dos outros... o reviver de momentos identicos, a percepção de que não mudarei nunca... mas a diferença faz-se sentir... não voltarei a ser quem era... apesar de nunca deixar de ser aquilo que sou... cinco dias de uma semana que parecia nunca mais acabar... a percepção daquilo que ao final do último capitulo se revela ser o meu estado:

" Como o reflexo de uma pessoa sentada na estação do comboio, passa o comboio e pela velocidade deste ou pela dormencia da acção apenas o acompanha com os olhos, pensando quando se vira para trás, era ele... não a acção desejada para o mandar parar, que no fundo era o objectivo de ali estar sentada."


Não faz sentido, mas percebe-se no final do

Último Capitulo


Final de semana alucinante do vou, não vou, vou sozinha, vou acompanhada... lá fui eu para onde melhor me sinto, concertos... mochila às costa... sentativa de cabeça vazia, relativizar tudo aquilo que por ela fazia questao de passar... vi um dos meus melhores concertos Pet Shop Boys, re-apaixonei-me pelo Julian Casablancas, senti de novo o Tiago Bettencourt, fiquei em transe com Prince, entre muitas coisas que senti, sempre em paz, em segurança que nada me faria quedar aquele prazer... ali estava eu no meu mais puro estado, eu a música e a multidão... sou abalroada por uma fila de pessoas... uma delas o ser... aquilo que estava em paz, tremeu, vassilou, arrepiou, perdeu a razao, partiu à procura, a prisão de não mais voltar a mim... a música fez questão ela também de me abandonar... ali estava eu no meio da multidão no final de mais um festival à procura dela... o olhar vazio pelas pessoas que se cruzavam e não tinham o cheiro dela... o andar à deriva... o acordar "Olha quem é ela!"... o que já tremia, gelou, o que já estava instavel quedou-se... o sentir tudo e nada... não conseguir relativizar nada... o querer evaporar para a almofada, o querer fazer delete há ultima meia hora da minha vida e nada acontecia a não ser o play do jogo social... bora lá acabei por assumir... tem de ser... ali estive quando não queria, ali me senti mal quando não merecia, ali senti-me a incomodar quando nada fiz para isso... tudo passou, tudo senti, nada agi...
No pós de mais um acaso sinto-me estranha... aquele ser é uma sombra eterna... é com ele que adormeço todos os dias independentemente daquilo que viva durante o dia... não que pense nele diariamente, mas a limitação da exigencia que imponho naquilo que se segue no pós ela... e vê-la é a necessidade de me esbofetear a mim e a ela...
Hoje estive com ela como há muito não estava, como há muito não me permitia estar... reviver aquilo que vivemos em pensamento de como seria um momento com ela onde eu tivesse liberdade em mim para agir...

A quem tudo dei, nem um abraço me conseguiu dar...
A quem tudo demonstrei, nem um olá me conseguiu dar...

Como nada fiz para que tivessem nojo da minha pessoa custa-me a acreditar que me tivessem ignorado por isso, leva-me antes a pensar nas limitações e defesas criadas para não se permitir sentir... não é um crítica até porque cada um segue aquilo que julga ser melhor para si... mas uma coisa é perceber, até percebo que o façam, outra coisa é entender, não entendo como conseguem...

4 dias para a paz que, mesmo que curta, vou sentir... destino é segredo até porque ainda não decidi... só sei como vai ser...

SOZINHA!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Degraus de uma vida

Fim de semana de reencontro das bases... os trilhos percorridos com pés 28 agora já 36... a nostalgia dos espaços que preenchi e que permanecem inalterados em mim... vontade de pular a cerca e sentar-me no mesmo sítio, correr, levantar o pó, chutar a bola à parede, jogar ao berlinde... as lágrimas cairam ao final de meses sem as conseguir verter... o sorrir com o adulto que sou... ainda criança... a mesma criança rodeada de vida e de pessoas, sempre activa e emocionada, sempre só e reservada... aquilo que sempre serei um ser que não passa despercebido, um ser que ninguém odeia, um ser que todos respeitam, um ser difícil de chegar perto... interessante percorrer o tempo, perceber as mudanças que os degraus da escada da vida te fazem acontecer, mas que a base está no primeito degrau que escolhes...
Ocupo muito pouco espaço nos outros, dou-me muito pouco, preocupo muito pouco... a V. está sempre tudo bem! E sim de facto está, até porque se não estiver sou eu que tenho de resolver...
Revivi todas a caminhadas entre a minha casa (há-de ser sempre) e Lisboa, os motivos, as emoções, os sonhos, as esperanças, desde a rotunda da BP até à entrada de Lisboa as conversas a sós... tudo o que sempre partilhei comigo e só comigo... a conversa deste fim de semana foi a análise de todas as outras conversas... a paz com que no final de um dia com o sol a por-se no horizonte, de ir para o meu canto, ter com as minhas coisas, comigo, por mim, por um prazer realmente meu... após a análise concluo aquilo que sempre tive certeza... amei bué aquele ser... mas amo-me muito mais hoje depois dela... dei tudo o que tinha e que não tinha, sensação que foi perfeito porque assim o criei... mas consigo sorrir no final da viagem a passar Alvalade com a sensação de erraste bebezão... posso estar errada, sim posso... mas perdeste o ser mais belo que eu consegui ser, foi-se... não existirá mais sinto... mas existiu... :)
Cria-se outro depois de mais uma sequência de degraus de um caminho que escolhi à partida de honestidade para comigo... a certeza que assim continuará porque assim sempre foi... comigo... apesar da aparente inconsciencia, da aparente desorganização... estou de pé... não é palpável a construção... porque a real construção tem de vir de dentro para fora...


Lá estarei no Meco a acompanha-los...
"I know everything about you,
You know everything about me,
Know everything about us"

sábado, 19 de junho de 2010

Pequena liberdade!

"A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. (...) Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a liberdade. Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis.
Na cadeira, aonde me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído."
Fernado Pessoa


Início de uma nova tela... a esperança que o prazer que me oferece ocupe-me os sentidos... oculte o que me os tem ocupado... vontade de ficar aqui ad eternum comigo... com as minhas sensações, com o meu tempo, com o meu espaço... a Mine descansa no mesmo espaço que eu, abre os olhos a cada esgar meu... outro dia ia eu muito bem a conduzir sozinha e sou interpelada por um transeunte com ar jocoso "Estás a falar sozinha?!" eu olhei, sorri... "SiM! Estou..."... o tal transeunte sorriu... fiquei comigo... sim, estou... estou bem obrigada... sou louca talvez para o comum dos mortais... dou comigo a reviver-me e aceitar que o sou... temo pelo tempo que passa, pela liberdade que sinto, pelo isolamento do meu eu no seio de uma multidão...

Estou bem... apesar de tudo o que sinto falta concluo que nunca estive tão bem no sentido real... a ilusão é a chave para a felicidade máxima... hoje percorro o tempo sem ela... sem a ilusão...

Até já, digo, porque sei que ela um dia vai voltar a sentar-se ao meu lado e não irei dar conta... tenho saudes na minha inconsciência de escrava que sou... :)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Amar e Pensar = Viver

by Me

"Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."
Alberto Caeiro
Noites loucas ao sabor de momentos partilhados onde a solidão de um ser só se faz sentir, percorrer o mundo de uma cidade imensa, inundada de seres com vidas e histórias que ninguém encontra, absorvida por tudo, sinto-me só... como me disseram, faz sentido, "andas sempre acompanhada mas partes sempre bué de só, caminhas bué de só!", olhando as caminhadas tenho de reconhecer que alguém me observa... não me sinto mal, mas sensação de desenquadrada, dou comigo cansada de palavras, cansada de promessas, aceito tudo... boa a sensação única de reconhecimento de mim... fase de baixa auto-estima confesso estar a passar, vontade brutal de chorar compulsivamente, o passado pesa, o presente acalma, o futuro mete medos... foco-me no presente e as lágrimas não caem... definitivamente chamo-me depressiva optimista... não me falta nada, tenho tudo... mas saudades brutais de dar mimos a alguém... não quero ninguém, nem a ela... que nada me deu... mas que me fez sentir paz com o meu passado no presente, a mochila pesa pelo conteúdo imenso que transporta, mas a vontade de seguir por aquilo que ela me fez sentir ser possível sentir caminho livre pelas ruas do mundo na ansia de tropeçar nela... mas a mala quando me sento queda-se nos ombros... a garrafa já não contém o coração, está vazia!

sábado, 22 de maio de 2010

Standing In The Way Of Control

Na correria incessante de resposta a questões por colocar, passa o tempo, fico eu em todos os momentos, os espelhos, os outros mostram-me o contorno de um rosto, as curvas de um corpo, as rugas de uma expressão, a luz de um sorriso... meus... na descoberta de um ser, o meu... apreendo-me ainda quase mais crescida, a certeza que irei continuar a vaguear nos dias que se sucedem a surpreender-me comigo...

O não só é aquilo que é... uma resposta... menos positiva que o sim?! Depende da expectativa colocada na pergunta... as coisas são uma sucessão de parênteses escondidos chamados expectativas, por isso hoje mais que ontem e menos que amanha sigo com expectativas baixas... sou livre, de dentro para fora...

Mais um ano... idosa que sou... criança que serei sempre... de ténis sujos... de olhar curioso fugidio do mundo dos adultos...

Demente por vezes sinto-me pela sensação de sentido contrário que os meus sentimentos e acções tomam... orgulho tenho de mim, da minha história, do meu percurso... sou pesada sim sou... apercebo-me cada vez mais... porquê? consigo hoje responder porque me dou, assim em queda livre, esperança que alguém abra os braços e me proteja do embate que consciência tenho de ser o mais certo, mas que não me enlaça os movimentos, que não me tolda os impulsos...

Reconheço-me nos outros que me abraçaram sem receio do peso que suportam... o respeito que sinto por aqueles que me absorveram... a certeza que fico, fiquei e ficarei naqueles que me receberam em pleno, apesar da fuga inevitável que alguns tomam, percebo, percebes tudo dizem, entendo tudo, compreendo algumas partes de tudo... porque quem sou eu para inquirir, para apontar o tão fácil dedo da crítica desbocada?!

Estou, estarei porque os dias se sucedem...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Most of us need the eggs

"Depois ficou tarde e tivémos de ir embora. Mas gostei imenso de a ver. Percebi que era uma pessoa fantástica e que era bom conhecê-la. E lembrei-me da velha anedota, do tipo que vai ao psiquiátra e diz: "Doutor, o meu irmão é maluco. Acha que é uma galinha." E o médico diz: "Porque é que não o interna?" E ele responde: "Até internava, mas preciso dos ovos." É mais ou menos o que sinto sobre as relações entre as pessoas. São totalmente irracionais e loucas e absurdas... Mas nós vamos aguentando porque precisamos dos ovos."
Woody Allen in Annie Hall



Porque temos de precisar de ovos? No fundo alimentamos a crença de que deles necessitamos... acorrentamo-nos a essa ideia ilusória que nada seremos sem ovos... perdemos a percepção da real essência da galinha que caminha a nosso lado... perdemos a liberdade de caminhar sem ela, pelo receio alimentado e sustentado de que assim perder-se-à os ovos, aqueles com os quais não sobrevivemos numa capoeira de galos... Ergue-se a vontade de voltar a pinto... nascer noutra capoeira... pertencer a outra espécie onde não se precise de ovos...

sábado, 6 de março de 2010

Independence Day

Sê Rei de Ti Próprio

Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.

Ricardo Reis, in "Odes"

Um ano... faz precisamente um ano e alguns minutos que me tornei rainha de mim própria... onde os minutos e segundos passaram a ser só meus, partilhados ou acompanhados, mas controlados apenas pela dona deles... eu, só eu... o espaço, as coisas passaram a ser só de quem elas são na essencia... minhas, só minhas... passei a ser mais eu com eu, deixei de ser mais eu com tu, tornei-me ser mais eu com eu nos outros... os caminhos e trilhos ficaram só condicionados pela velocidade do condutor, o co-piloto deixou de existir, substitui por mapas, roteiros, explorei-me neles, não há condicionantes nem limitações nem adaptações de percurso... e se as há é porque só eu as permiti... deixou de haver boxes para abastecer a alma e o corpo... houve a autosuficiencia de um motor que estava habituado a um cuidado externo... mas o sistema que se carrega a si próprio, que se alimenta de si, quando passa a ser autosuficiente, é quando está perfeito...

Dependencia essa coisa de que todos padecemos, ópio do ser, vicio da mente... o reflexo de que somos pó, de que não nos acreditamos como seres únicos na selva se seres... confesso dele padecer, momentos em que duvidas da autosuficiencia... confundes, não interpretas a essencia da acção, acreditas inabalavelmente de que o fazes por um sentimento, com uma intenção superior, como um cubo mágico onde as cores se cruzam e focas a cor na solução e suprimes a essencia da acção...

Dependencias é um pequeno ponto do conjuntos de pontos que assolam a acção do ser vivo... as necessidades criam-nas... alimentam-as... abuli-las é um processo dificil... a ressaca faz senti-las com mais desejo... mesmo quando o prazer não esteja em suprimir, mas o colmatar da ressaca é mais forte... o vicio corroi a razão... e quando a razão deixa ser o expoente o corpo é que paga... o cansaço de não ter é mais leve de o ter, pelo simples facto de não haver a luta para o ter tido...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ciclos...

De volta ao casulo... há coisas que o tempo não leva... o espaço conquistado não se liberta... ganham raizes... o tempo só as faz tornar mais fundas... a profundidade deixa a sensação ilusória que já partiu de vez... mas escava-se fundo e lá está ela... a coisa... brilhante ainda... sorris... pensas... ainda ai estás?!... vais estar sempre né?... perguntas... encolhes os ombros... és minha!... resignaste... saudades de a ver... :) imagino-a bem... sensação de paz... sinto... beijo grande envio no silêncio do gesto, da acção... abraçava-te em silêncio, agora... partia... deitava o meu corpo nesta mesma cama... no fundo já te abracei bebezão... noite feliz... ouvi no silêncio do eco do meu pensamento... senti o tom, o timbre... até já... respondo!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Significados

Releio o post anterior e sinto necessidade de dar significado à expressão... sensação de pouco significado na conjução das 5letras que compõem a palavra... necessidade de a conhecer

Mágoa

A palavra, que tem origem no latim macula, representa um sentimento de desgosto, pesar, sensação de amargura, tristeza, ressentimento.

É um descontentamento que, embora frequentemente brando, pode deixar resquícios que podem durar um bom tempo. Por vezes é possível percebê-lo no semblante, nas palavras e nos gestos de uma pessoa.

Significado retirado da Wikipédia.

Acrescento, por palavra própria, apenas:

- que é um sentimento positivo de origem negativa.
- que tem um nascimento e uma vida.
- que é reactivo.
- que existem métodos para cura rápida.
- que existem métodos para não cura.
- que é um parasita dos pensamentos (alimenta-se deles!).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Apaixonada... Estou!

As palavras tornaram-se obsoletas para a expressão do meu eu... entre impulsos externos, entre partilhas descubro outra forma de traço... transfiro-me para a tela a cada segundo que o mundo externo me permite... sentada ou em pé, dependendo do tom, o pincel sobre a tela, com música ou sem música... sinto-me... estado brutal de prazer e paz... ali fico horas... agarrada a mim... afasto-me, numa pausa curta para um cigarro, observo-me gosto...


Adormeço a olha-la... vi-a nascer... dei-lhe cor... ainda por terminar... a minha primeira tela:


DOIS MUNDOS


é o seu nome...


Há quem diga tens jeito... há quem diga continua... há quem diga investe...


Eu digo estou apaixonada...


Mas volto hoje aqui porque é o dia de aniversário do meu mano... parabéns Zé Grande... saudades tuas... tantas...
Faz hoje precisamente um ano... um ano em que alguém me disse que eu era a pior pessoa do universo por sentir... por sentir um amor imenso, por sentir que ele estava a partir, por sentir que nada podia fazer, por ter sentido nesse dia a morte do meu irmão, por ter sentido tudo junto exigiu que eu pensasse nela... que partia para me deixar... para me escurraçar da sua vida... agarrou no meu corpo desejoso que o matassem e fechou-me porta na cara... gritou-me que enquanto se lembrasse do momento não me falaria... fez-me sentir culpada... senti-me no momento uma merda...
Hoje uma amiga perguntou-me: "as pessoas conseguem ser mesmo egoistas não é?!"
Não! Antes fossem egoistas... as pessoas nem se apercebem quem os outros sentem... que os outros sofrem... não respeitam porque nem se apercebem o quão estão a pisar... só sabem que o caminho é aquele... o resto é apenas isso o resto...
Mas M. a ti te disse hoje, tudo passa amiga acredita, é normal ficares feliz por ele estar feliz, não teres raiva nem odio por ele, amas... mas isso passa, não deixas de gostar, há-de ser sempre aquele ser, mas ficas mais forte depois... aloja-se um coisa que se chama mágoa... não é raiva, não é ódio, não é nada mau... é aquela sensação de corpo inerte, olhar no vazio, sentir o vento, não reagir, os ombros não caem, não sobrem, inclinam-se para a frente... mágoa... sensação de enfim, nada posso fazer... azar! de quem?! dele! e aí sorrirás de novo... aí encontrar-te-às novamente... ai percebes porque aconteceu... a importância de ter acontecido... deste tudo, não te arrependerás...
Confidencio aqui hoje, acho que nunca o disse a ninguém, tinha vergonha... mas faz hoje um ano e um dia estava eu à porta dela, esperei até as 5h30 simplesmente porque não queria ir para casa dos pais viver aquilo que me esperava... às 23h desse mesmo dia descubro que enquanto eu esperava por ela, ela procurava outra pessoa... de quem é a culpa, quem estava errada?! EU!
Estado de felicidade é um estado ilusorio... só na ilusão conseguimos ser felizes... iludi-me bué, vivi bué como uma criança em vespera de Natal... foi bom, muito bom... doeu acordar... o sonho tornado pesadelo... o renascer... o vaguear... não aconselho a ninguém, mas é nele que aprende...
A ti M. se voltar a tocar a campainha, manda-o aprender a viver sozinho, a ganhar patinhas...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Descoberta...

Não sei se quero...se não quero... dar de mim aqui... cansada de me escrever...
Não a vi... quem?! eu sei quem...
Porquê?! impera a questão... quero-me, suporto-me...
Foste... fiquei, aprendi... obrigada... devia ter partido mais cedo, quando me mandaste da primeira vez, não fui por ti concluo... não fui por mim apercebo-me... serei sempre assim um ser de certezas... foste, adeus... tens falado com?! questionam-me... na tentativa de me perceberem... não, respondo... não quero saber mais... receber-ei tudo o que tiver guardado para mim, nada mais exijo, até porque me cansa... imaginar, filmar... gosto e de tanto gostar não procuro para não ser cumplice de algo que não creio como solução... tenho saudades?! sim tenho! de mim!... naquele estado! se tenho raiva?! não! tenho mágoa por não ter sabido cuidar de algo tão belo... azar! de quem?! dela!!! mas tão dela, que nem tenho palavras para descrever... apenas e só sinto, sorte de quem ficar com as migalhas... neste momento eu! e é muito doce cada migalha que sobrou...
Gosto!
Sei de que gosto!
Saudades?!
Dela!
Quem?!
Ela!Tão ela!
CATARINA

domingo, 17 de janeiro de 2010

Plantação

Sugo tudo no emocional, interpreto-o no racional... dou cor azul e saio à rua sem nuvens... certa sempre daquilo que procuro, acabo sempre por encontrar apesar de nem sempre me saciar...
Descubro-me nos outros... fazem questão de estar, de ser a meu lado...
Olho para mim antes e agora... faço o jogo das diferenças... o fundo é o mesmo mas os pormenores estão alterados... concluo que sou confiante hoje por ter sentido alguém que confiasse piamente em mim... essa pessoa partiu, outras ocuparam o banco do pendura da viagem que me proponho... interessante perceber a importancia e relevancia dos cruzamentos, das partilhas...
Hoje percebo que só se é ser na multidão quando se é confiante, apesar da insegurança... e a confiança só se ganha quando se tem de base a sensação de ser confiável...
Não gosto da expressão, não a sinto a cem por cento mas, interepreto-a hoje de uma forma mais lata...
"Colhemos aquilo que plantamos!"
Infelizmente a sensação que plantei mais do que colhi assola-me a ingenuidade mas apercebo-me que não plantei em vão, apesar da plantação não ter florido, também não morreu...
Nada se perde, tudo de renova...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Bolso de trás...

Deitada sobre o meu corpo li os poemas do S., encontrei-a num deles... transcrevi... ainda não tive coragem de o entregar mas o bilhete acompanha-me até ao momento certo...
-----//-----
Meditação

Vincado nos cantos da boca o sorriso espreita,
Feliz por ser quem é,
Delicado, bucólico, leve!
Por momentos sentes o inevitável:
O caminho negro das árvores,
O rebanho não te acompanha, jamais!
Nos encantos do Sol nascente brilha o rubor da tua face,
Ao cimo da rocha deslizante, polida,
Um sentimento duradouro, perecível.
Nas profundezas atarefadas da alma,
Buscas incansável o quente da paixão,
Sem nexo, espontâneo, deslumbrante!
A passos largos, ritmos cadenciados,
Assalta ao largo a ternura imensa,
O encanto máximo!
Firmas o segredo nas mãos gélidas,
Grita a inquietude sufocante pelas paredes limpas do sentimento,
Abafas o som da alegria que te encaminha,
Louca, livre, voluptuosa!
Acreditas na manhã quente e a Lua ainda não se pôs!
O trânsito alucinado corre nas veias, encantado,
E mais uma vez, quedas negro o corpo inerte,
Floresta de sentidos por entre as rochas,
O verde murmurante nas folhas das árvores,
O branco brilhante nas flores luxuriantes!
As palavras nascem nos beijos mortos,
Encosto de lábios secos, de chuva que não cai,
Lágrimas saudosas de não chorar.
Tortuosas pedras descalças na calçada do firmamento,
Onde todos se encontram, tudo se funde;
Onde tu te escondes, num ninho só teu,
Nicho caloroso de penas soltas.
A música que ferve nos ouvidos,
Solta lamentos de alegria dissimulada,
Fracos sons de alma esquecida,
Tons vagos arrítmicos.

És só tu,
No encanto do infinito!
-----//-----
Apenas, e só, mais um pouco de mim que te pertence... talvez não entendas, eu própria pouco percebo, também pouco me questiono sobre... vivo, sinto... e tenho de o materializar... em palavras, em gestos, em acções, em silêncios, em procuras, em fugas...
Tenho medo de o ter,
Sinto-me livre sem o ser.
Presa no inconsciente,
De um prelúdio iminente.
Gosto (ponto!). Apenas e só... isso...
Beijo
V.P.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Transparência

Num ano senti necessidade de me escrever aqui 96 vezes... tantas outras conversas no silêncio de um quarto onde só se ouvia o meu murmuro...
Sou uma ouvinte concluo... sinto os outros todos que me absorvem, interiorizo, aprendo... filtro... dou conta que pouco me ouvem... oiço-me... exijo muito pouco dos outros... cobro em mim o que desejo, orgulho por mim nas vitórias, esbofeteio-me a mim nas derrotas...
Sou um ser sem sombras, sem segredos, sem medos... em paz... o turbilhão do que sou inquieta-me a tranquilidade a razão... mas sou eu quem me comanda... cada vez mais, cada vez mais serena...
Sim é sim, não é não... gosto é gostar, não gosto é não gostar... falar é partilhar, calar é ouvir... dançar é exteriorizar, sentar é interiorizar...
Quero mais... quero sentir mais... quero pessoas... quero estar só... quero sair... quero ficar... quero tempo... quero espaço...
Inteligência é sentir... sentir de fora para dentro e não de dentro para fora... FARTA, CANSADA de análises à minha imagem... do "se fosse eu, era assim...", "se fosse eu, não era assim..."... sério quando aprendem todos a sentir apenas o outro, o porquê se ser assim, diferente do que seria se fosse eu? até porque quem me garante se fosse eu não seria assim também? só porque é parecido, semelhante? mas desde quando MAN é que parecido e semelhante é sinónimo de igual?!?!?! Seres de cultura superior ou inferior... enfim... bem falantes ou mal falantes... a inteligência superior resume-se a saber sentir, saber ouvir, saber receber, saber aprender...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010

Recostada no meu espaço sinto-me bem... início de um ano entre amigos e sorrisos... parti só do conforto em busca do que me move hoje... nas ruas e espaços de uma Lisboa que redescubro a cada passo...



Lindo... muito belo mesmo o meu entrar em 2010...



Paz... muita paz mesmo...



Sorriso relembrar a saída de casa... os abraços... "eu vou bem, tranquilo!"... "não ficas triste amor por não ir mas apetece mesmo ficar!"... "se quiserem podem vir, se preferem ficar fiquem, sério eu quero ir, não quero pressionar o momento, a vossa paz!"... e fui desci a rua fila enorme na porta que me esperava, não disse... parti para o cais do sodré, entre amigos dancei até o som me permitir... ali acabou continuei em busca de algo, entre a multidão acompanhada parti entre a chuva a pé até Santos em busca de um táxi... entrar num espaço só, dançar até me esquecer... tomar o pequeno almoço sentada num mesa sozinha... sorrir... subir a rua e deitar a cabeça na minha almofada, tranquila em paz...