sábado, 19 de junho de 2010

Pequena liberdade!

"A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. (...) Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a liberdade. Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis.
Na cadeira, aonde me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído."
Fernado Pessoa


Início de uma nova tela... a esperança que o prazer que me oferece ocupe-me os sentidos... oculte o que me os tem ocupado... vontade de ficar aqui ad eternum comigo... com as minhas sensações, com o meu tempo, com o meu espaço... a Mine descansa no mesmo espaço que eu, abre os olhos a cada esgar meu... outro dia ia eu muito bem a conduzir sozinha e sou interpelada por um transeunte com ar jocoso "Estás a falar sozinha?!" eu olhei, sorri... "SiM! Estou..."... o tal transeunte sorriu... fiquei comigo... sim, estou... estou bem obrigada... sou louca talvez para o comum dos mortais... dou comigo a reviver-me e aceitar que o sou... temo pelo tempo que passa, pela liberdade que sinto, pelo isolamento do meu eu no seio de uma multidão...

Estou bem... apesar de tudo o que sinto falta concluo que nunca estive tão bem no sentido real... a ilusão é a chave para a felicidade máxima... hoje percorro o tempo sem ela... sem a ilusão...

Até já, digo, porque sei que ela um dia vai voltar a sentar-se ao meu lado e não irei dar conta... tenho saudes na minha inconsciência de escrava que sou... :)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Amar e Pensar = Viver

by Me

"Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."
Alberto Caeiro
Noites loucas ao sabor de momentos partilhados onde a solidão de um ser só se faz sentir, percorrer o mundo de uma cidade imensa, inundada de seres com vidas e histórias que ninguém encontra, absorvida por tudo, sinto-me só... como me disseram, faz sentido, "andas sempre acompanhada mas partes sempre bué de só, caminhas bué de só!", olhando as caminhadas tenho de reconhecer que alguém me observa... não me sinto mal, mas sensação de desenquadrada, dou comigo cansada de palavras, cansada de promessas, aceito tudo... boa a sensação única de reconhecimento de mim... fase de baixa auto-estima confesso estar a passar, vontade brutal de chorar compulsivamente, o passado pesa, o presente acalma, o futuro mete medos... foco-me no presente e as lágrimas não caem... definitivamente chamo-me depressiva optimista... não me falta nada, tenho tudo... mas saudades brutais de dar mimos a alguém... não quero ninguém, nem a ela... que nada me deu... mas que me fez sentir paz com o meu passado no presente, a mochila pesa pelo conteúdo imenso que transporta, mas a vontade de seguir por aquilo que ela me fez sentir ser possível sentir caminho livre pelas ruas do mundo na ansia de tropeçar nela... mas a mala quando me sento queda-se nos ombros... a garrafa já não contém o coração, está vazia!