sábado, 6 de março de 2010

Independence Day

Sê Rei de Ti Próprio

Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.

Ricardo Reis, in "Odes"

Um ano... faz precisamente um ano e alguns minutos que me tornei rainha de mim própria... onde os minutos e segundos passaram a ser só meus, partilhados ou acompanhados, mas controlados apenas pela dona deles... eu, só eu... o espaço, as coisas passaram a ser só de quem elas são na essencia... minhas, só minhas... passei a ser mais eu com eu, deixei de ser mais eu com tu, tornei-me ser mais eu com eu nos outros... os caminhos e trilhos ficaram só condicionados pela velocidade do condutor, o co-piloto deixou de existir, substitui por mapas, roteiros, explorei-me neles, não há condicionantes nem limitações nem adaptações de percurso... e se as há é porque só eu as permiti... deixou de haver boxes para abastecer a alma e o corpo... houve a autosuficiencia de um motor que estava habituado a um cuidado externo... mas o sistema que se carrega a si próprio, que se alimenta de si, quando passa a ser autosuficiente, é quando está perfeito...

Dependencia essa coisa de que todos padecemos, ópio do ser, vicio da mente... o reflexo de que somos pó, de que não nos acreditamos como seres únicos na selva se seres... confesso dele padecer, momentos em que duvidas da autosuficiencia... confundes, não interpretas a essencia da acção, acreditas inabalavelmente de que o fazes por um sentimento, com uma intenção superior, como um cubo mágico onde as cores se cruzam e focas a cor na solução e suprimes a essencia da acção...

Dependencias é um pequeno ponto do conjuntos de pontos que assolam a acção do ser vivo... as necessidades criam-nas... alimentam-as... abuli-las é um processo dificil... a ressaca faz senti-las com mais desejo... mesmo quando o prazer não esteja em suprimir, mas o colmatar da ressaca é mais forte... o vicio corroi a razão... e quando a razão deixa ser o expoente o corpo é que paga... o cansaço de não ter é mais leve de o ter, pelo simples facto de não haver a luta para o ter tido...

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