domingo, 17 de janeiro de 2010

Plantação

Sugo tudo no emocional, interpreto-o no racional... dou cor azul e saio à rua sem nuvens... certa sempre daquilo que procuro, acabo sempre por encontrar apesar de nem sempre me saciar...
Descubro-me nos outros... fazem questão de estar, de ser a meu lado...
Olho para mim antes e agora... faço o jogo das diferenças... o fundo é o mesmo mas os pormenores estão alterados... concluo que sou confiante hoje por ter sentido alguém que confiasse piamente em mim... essa pessoa partiu, outras ocuparam o banco do pendura da viagem que me proponho... interessante perceber a importancia e relevancia dos cruzamentos, das partilhas...
Hoje percebo que só se é ser na multidão quando se é confiante, apesar da insegurança... e a confiança só se ganha quando se tem de base a sensação de ser confiável...
Não gosto da expressão, não a sinto a cem por cento mas, interepreto-a hoje de uma forma mais lata...
"Colhemos aquilo que plantamos!"
Infelizmente a sensação que plantei mais do que colhi assola-me a ingenuidade mas apercebo-me que não plantei em vão, apesar da plantação não ter florido, também não morreu...
Nada se perde, tudo de renova...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Bolso de trás...

Deitada sobre o meu corpo li os poemas do S., encontrei-a num deles... transcrevi... ainda não tive coragem de o entregar mas o bilhete acompanha-me até ao momento certo...
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Meditação

Vincado nos cantos da boca o sorriso espreita,
Feliz por ser quem é,
Delicado, bucólico, leve!
Por momentos sentes o inevitável:
O caminho negro das árvores,
O rebanho não te acompanha, jamais!
Nos encantos do Sol nascente brilha o rubor da tua face,
Ao cimo da rocha deslizante, polida,
Um sentimento duradouro, perecível.
Nas profundezas atarefadas da alma,
Buscas incansável o quente da paixão,
Sem nexo, espontâneo, deslumbrante!
A passos largos, ritmos cadenciados,
Assalta ao largo a ternura imensa,
O encanto máximo!
Firmas o segredo nas mãos gélidas,
Grita a inquietude sufocante pelas paredes limpas do sentimento,
Abafas o som da alegria que te encaminha,
Louca, livre, voluptuosa!
Acreditas na manhã quente e a Lua ainda não se pôs!
O trânsito alucinado corre nas veias, encantado,
E mais uma vez, quedas negro o corpo inerte,
Floresta de sentidos por entre as rochas,
O verde murmurante nas folhas das árvores,
O branco brilhante nas flores luxuriantes!
As palavras nascem nos beijos mortos,
Encosto de lábios secos, de chuva que não cai,
Lágrimas saudosas de não chorar.
Tortuosas pedras descalças na calçada do firmamento,
Onde todos se encontram, tudo se funde;
Onde tu te escondes, num ninho só teu,
Nicho caloroso de penas soltas.
A música que ferve nos ouvidos,
Solta lamentos de alegria dissimulada,
Fracos sons de alma esquecida,
Tons vagos arrítmicos.

És só tu,
No encanto do infinito!
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Apenas, e só, mais um pouco de mim que te pertence... talvez não entendas, eu própria pouco percebo, também pouco me questiono sobre... vivo, sinto... e tenho de o materializar... em palavras, em gestos, em acções, em silêncios, em procuras, em fugas...
Tenho medo de o ter,
Sinto-me livre sem o ser.
Presa no inconsciente,
De um prelúdio iminente.
Gosto (ponto!). Apenas e só... isso...
Beijo
V.P.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Transparência

Num ano senti necessidade de me escrever aqui 96 vezes... tantas outras conversas no silêncio de um quarto onde só se ouvia o meu murmuro...
Sou uma ouvinte concluo... sinto os outros todos que me absorvem, interiorizo, aprendo... filtro... dou conta que pouco me ouvem... oiço-me... exijo muito pouco dos outros... cobro em mim o que desejo, orgulho por mim nas vitórias, esbofeteio-me a mim nas derrotas...
Sou um ser sem sombras, sem segredos, sem medos... em paz... o turbilhão do que sou inquieta-me a tranquilidade a razão... mas sou eu quem me comanda... cada vez mais, cada vez mais serena...
Sim é sim, não é não... gosto é gostar, não gosto é não gostar... falar é partilhar, calar é ouvir... dançar é exteriorizar, sentar é interiorizar...
Quero mais... quero sentir mais... quero pessoas... quero estar só... quero sair... quero ficar... quero tempo... quero espaço...
Inteligência é sentir... sentir de fora para dentro e não de dentro para fora... FARTA, CANSADA de análises à minha imagem... do "se fosse eu, era assim...", "se fosse eu, não era assim..."... sério quando aprendem todos a sentir apenas o outro, o porquê se ser assim, diferente do que seria se fosse eu? até porque quem me garante se fosse eu não seria assim também? só porque é parecido, semelhante? mas desde quando MAN é que parecido e semelhante é sinónimo de igual?!?!?! Seres de cultura superior ou inferior... enfim... bem falantes ou mal falantes... a inteligência superior resume-se a saber sentir, saber ouvir, saber receber, saber aprender...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010

Recostada no meu espaço sinto-me bem... início de um ano entre amigos e sorrisos... parti só do conforto em busca do que me move hoje... nas ruas e espaços de uma Lisboa que redescubro a cada passo...



Lindo... muito belo mesmo o meu entrar em 2010...



Paz... muita paz mesmo...



Sorriso relembrar a saída de casa... os abraços... "eu vou bem, tranquilo!"... "não ficas triste amor por não ir mas apetece mesmo ficar!"... "se quiserem podem vir, se preferem ficar fiquem, sério eu quero ir, não quero pressionar o momento, a vossa paz!"... e fui desci a rua fila enorme na porta que me esperava, não disse... parti para o cais do sodré, entre amigos dancei até o som me permitir... ali acabou continuei em busca de algo, entre a multidão acompanhada parti entre a chuva a pé até Santos em busca de um táxi... entrar num espaço só, dançar até me esquecer... tomar o pequeno almoço sentada num mesa sozinha... sorrir... subir a rua e deitar a cabeça na minha almofada, tranquila em paz...