terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dog Days Are Over





Finalmente sinto uma paz brutal ao fim de um ano e seis meses precisamente... o tempo de facto mostra sempre o caminho porque nunca recua... medo tenho daquilo que construi como base do meu futuro próximo... estabilidade pessoal brutal... o reconhecimento do meu eu nos outros... afinal sou capaz sozinha, afinal sou autosuficiente... não voltarei a quedar como outrora... enfim deixa-me apreensiva confesso... mas sinto que se um dia isto que sou eu tiver de ser de alguém será muito melhor, porque eu sou mais hoje... tenho mais hoje para oferecer...



Ouvir gostava de me apaixonar por ti... um dia hei-de apaixonar-me por ti... mesmo que não aconteça faz-me crer que a minha escada continua o caminho pelo qual foi lançada... tem dias que sabe a pouco... e se não fores tu So. azar... há-de ser de alguém... se não for também pouco importa! porquê? porque no fundo já é meu!



Ao final de 28 anos de momentos vividos, partilhas, lágrimas, risos... sinto-me capaz... sinto que uma miúda com aspecto pouco comum pode ser alguém que os outros olham com respeito e consideram como capaz... nunca duvidei daquilo que sou, sempre questionei que alguém conseguisse dar o real valor... chego à conclusão que não é preciso mostrar, é preciso fazer sentir... lutar mesmo quando o medo se instala...



Semana em que ousei ser eu e me deu o que eu merecia...



Tu meu ser tonto... gosto-te muito, sem pressuposto... porque quando me encontraste eu estava bem só... contigo é estupidamente confortável... o amanhã é apenas isso o amanhã...



Estou no auge da minha existência... consegui!!!



No outro dia a R. abraçou-me e disse-me: "Miúda quem te viu e quem te vê! Confesso que duvidei que conseguisses voltar a sorrir assim... Tenho mesmo bué orgulho em ti!"



Necessidade de marcar os pontos altos destes 18 meses, não existe ordem de importância porque me é difícil organizar.... mas vou escrever ao ritmo do pensamento, como sempre:



Ouvir alguém que abdica do meu amor, és o ser que ama mais belo!



Ouvir alguém dizer, quando te conheci parecias um bicho e agora não consigo existir sem ti!



Sentir que há pessoas que me procuram independentemente do tempo que passe de ausência porque sabem que aqui podem ser elas próprias.



Sentir que as pessoas com as quais me cruzei se tornaram pessoas melhores, mais conscientes e que sempre que me abraçam me fazem sentir o peso da minha presença na vida delas.



Ouvir alguém dizer que abdica dos meus serviços, vai ser mais difícil para nós conseguirmos uma colaboradora como a V. do que a V. um emprego melhor. Isso efectivamente acontecer!



Ver o meu trabalho reconhecido, sem fazer questão de o mostrar explicitamente!



Conseguir andar sozinha na rua entre a multidão, sem nada dever a ninguém, sem nada exigir de ninguém...



Conseguir estar de cabeça levantada mesmo sabendo que me vão olhar de lado e mudar opiniões sem nada dizer, apenas permanecer...



Encontrar o prazer de estar só... com as minhas telas, com a minha música, com os meus pensamentos, com a minha escrita...



Sou tão mais hoje... Consegui!



A única grande questão amar-ei como já amei? Acredito que sim... tenho tudo... vou ser mesmo bué feliz... já falta pouco...

Manhã de sábado a explorar a serra de Sintra como nunca antes explorada! Amei...

Por mais estupido que possa parecer, escrevo-me para me reler... no outro dia reli por ordem cronológica e reencontrei-me... e sei o caminho que une todas as paragens aqui...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tão ou mais perdida que tu ser tonto...

"Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito."

Charles Chaplin
Já não sou quem era... ou talvez seja... não temo amar, não temo viver, não temo voar, não temo caminhar, não temo o rídiculo... definitivamente ouso ser quem sou, um ser inseguro, um ser carente, um ser ingénuo, um ser transparente... mas tenho medo de amar quem tem medo dele... quem não sabe o que ele é... perder-me no enredo de um amor alimentado por iniciativa unilateral, só pela sensação não desistas porque vais fazer bem aquela pessoa e ela vai ser para ti o que desejas... já passei por isso, foi brutal, mas uma pessoa que diz que quer voar mas não voa por iniciativa própria ira quedar mais tarde ou mais cedo nas suas prisões... prisões que não fazem parte de mim, que não existem em mim...
Aprendi a ser feliz sozinha durante este ano e meio e que passou... o existir à toa por mim... sem ninguém a quem partilhar nada... não ter o recurso de expressar nada, nem o bom, nem o mau... caminhar no silêncio dos dias ao som dos meus pensamentos, falar sozinha, aconselhar-me sozinha... seguir o meu eu e o meu outro eu...
É bom ter-te So., é bom poder deixar os meus dedos escorregarem nas teclas do telemóvel ao ritmo do meu pensamento, trocar a minha bic e a minha moleskine... materializar-me em ti... mas não me sinto acompanhada... sinto que "exiges" que te acompanhe, eu dei, dou isso... sou assim um ser que se anula perante a necessidade do outro... mas preciso de alguém que me sinta e que me acompanhe sem eu "exigir", porque eu não o sei fazer... mas é tudo o que eu preciso!

Domingo foi demasiado intenso para este ser pequenino... não me peguem ao colo, não me deixem chorar no ombro... não me acolham, senão eu aninho-me... foi o que rejeitei... não posso voltar a iludir-me, não posso voltar a quedar-me ao colo de alguém que um dia vai partir e quando precisar vou ter de me aninhar sozinha numa rua fria, isolada, sobre mim própria...
Gosto daquela pessoa... gosto muito mesmo... vontade de a raptar e ensinar-lhe, mostrar-lhe o caminho que eu vejo... sinto que tem potencial para ser em pleno... mas está presa... ainda não percebi bem a origem... mas como a maioria dos seres, está no exterior a prisão, a dualidade de colmatar necessidades antagónicas...
Vou permanecer... porque sou um ser que não desiste das pessoas até elas desistirem de si próprias...

sábado, 4 de setembro de 2010

Eu

Ser perdido que és V. a sério tão perdido pah!
Choro bué hoje sozinha na minha cama sem sentido de ser... o sono transcende a lógica... os olhos não quedam em sono profundo... quero paz não a encontro... serei sempre um ser inquieto?
Fodasse desculpem mas apetece-me espancar tanto... só quero ser feliz... só quero ir onde me chamo... a cabeça não pára porque?!
Ñão consigo deixar que me peguem ao colo... não permito que cheguem perto.... apetece-me tanto evaporar para uma realidade diferente... porque complicamos?!

Onde anda a minha ingenuidade? aqui, deitada a meu lado....

Sou um ser completamente desenquadrado do real... afastem-se de mim enquanto podem... não faço bem a ninguém...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gosto-te

Entraste no meu mundo, reviraste aquilo que mais receava, a minha capacidade de dar sem proposito... sinto-me em piloto automático da criança que há em mim... aí vai a V. sem razão... medo confesso ter... sinto que tanta coisa em mim permanece que deixa o sabor amargo do receio de tudo se possa repetir, mas por isso permaneço porque só assim fui feliz, só assim levantei um dia os pés do chão, incorro do mesmo registo... dar, ir, sonhar, caminhar...

Hoje a F. disse-me V. tu tem calma contigo, já estás a abrir demais o teu mundo, encolhi os ombros, mas F. não sei reinventar-me, se está aqui tem de sair...

Inquieta-me porque no fundo não quero perder a minha serenidade, a minha paz... mas quero tanto chegar mais longe nesta viagem...

STOP por mais luminoso que seja há momentos que a V. não se permite parar... este é um deles...



Não me mostres o teu lado feliz
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho

Não me abras assim o teu mundo
O teu lado solar só dura um segundo
Não e por ele que te quero amar
Embora seja ele que me esteja a enganar

Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar

Desvenda-me o teu lado malsão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e ruínas de amor

Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
à prova de bala à prova de tudo

Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo e tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso

Não é por ela que te quero amar
Embora seja ela que me vai enganar
Se mostrares agora o teu lado lunar
Mesmo às escuras eu não vou reclamar

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Smells the same

A viagem continua vou apercebendo-me do percurso que sigo... continuo bem comigo... estranha a sensação de que nunca irei ser acompanhada... o encanto mantém-se por aquilo que sinto e nutro ser possível, sem pressuposto... mas já me dei de mais sinto... já me sinto perdida na ausência... não quero... quero não pensar em alguém... não estou ainda no momento de falar...
Quero tanto voar para uma realidade diferente... saltar do abismo de mão dada a alguém... diálogo antes com alto sorriso:
- Amor e se não tivermos asas fortes?
- Temos, acredita temos!
- Sim, vamos...
- Agora!
Saltar em conjunto e manter as mãos unidas e asas suportar-nos-ão no voo...
Hoje estou estranhamente triste... estranhamente inquieta... estranhamente estranha!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Viagem

Tenho medo de o ter... evito-o...
Ainda não consigo pôr por palavras aquilo que já percorri, nesta viagem que sinto que não embarquei sozinha... o tempo irá dar-me o descernimento para organizar tamanha informação em curto espaço de tempo...
Um dia fizeram-me uma pergunta, que na altura me deixou a pensar, "Que anseias mais numa dúvida: a resposta ou a espera dela?"...
As questões, as dúvidas são a minha sombra... "Encontro uma resposta, descubro duas questões!"... fase de dúvidas e questões que não me permito colocar a mim própria porque sei que não é tempo de ouvir a resposta... apercebo-me hoje que aquilo que mais desejo é a espera da resposta... elas vão surgir, gosto de saborear o percurso que o meu ser toma na procura das tão desejadas respostas... era mais fácil colocar a questão e resolver a dúvida... sim era, mas era fugaz, era pouco fundamentado, pouco sentido, pouco vivido...
As dúvidas nascem da insegurança imensa que me circunda... mas sigo confiante...
Agradeço-me por me ter permitido entrar em mais uma viagem... o comboio parou na estação onde há muito me encontrava sentada... passaram muitos, pararam imensos, entrei neste... porquê? encolho os ombros, não sei... não sei... ainda não encontrei a resposta... pouco importa o porquê... neste momento sei que estou... quando se entra num comboio à toa há momentos em que ficas tenso, estranho, questionas... "mas para onde me leva?!"... "não vi para onde ia!"... seja para onde for e da insegurança que tenha, tenho a confiança que dele se tiver que sair, sairem como entrei, comigo, de pé... mesmo que tropece no degrau da saída levantar-me-ei, porque sei quem sou! E depois para quê pensar sobre... quando ao meu lado se sentou a companhia ideal para esta viagem?! Enquanto o comboio não pára... partilhamo-nos em amena tranquilidade... é bom... é muito bom...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Delirio no Alentejo

As tão desejadas férias já são passado... mas foram um marco importante no meu ser...
Sinto-me pura... sinto-me estranha a falar de mim devo confessar... mas a forma como percorro o mundo, a forma como o exploro e me deixo explorar... a forma como as pessoas entram na minha bolha, a forma como me olham depois de terem entrado... tenho orgulho naquilo que construi...
São 28 anos de uma vida cheia de histórias que não faço questão de contar em passado, partilho intensamente o presente...
Há coisas que não se perdem, fazem parte da construção daquilo que é presente hoje...
Na quinta-feira passada um re-sentir de coisas... o tão sonhado objectivo vê-se revelado numa conversa não antecipada com o S., o fazer-me sentir e pensar ali no presente as minhas limitações, a minha falta de terra, a minha pouca prisão as coisas, a minha necessidade brutal de estabilidade, a minha dificuldade em me prender a algo material, o meu percurso esvoaçante pela vida, a minha responsabilidade desorganizada... obrigada S. por fazeres parte... o que te disse nessa tarde, como tudo o que te disse é real, aconteça o que acontecer, vou sempre precisar de ti, nunca te abandonarei... sinto muito o "peso" daquilo que sei que sou para ti, tenho medo por tanto saber quem sou... um ser extremamente independente... caminho bué só... transporto todos comigo, mas não faço questão efectiva que me acompanhem... já nos imaginámos como casal. já nos imaginámos como pais de um ser belo, já nos imaginámos sócios de um negócio com futuro... já nos imaginámos de várias formas, já extrapolámos a nossa "limitada" relação para patamares superiores porque temos de facto tudo para sermos um casal perfeito, uns pais perfeitos, uns sócio perfeitos, porque no fundo temos de base a relação perfeita... disseste-me hoje temos respeito e liberdade um do outro... amo-te é muito pouco disse-te um dia, digo hoje pela segunda vez... preciso-te!!
A consolidação através do sorriso do outro... bué importante aquela conversa em final de tarde, sem cobranças, sem questões exploratórias, no fundo o que eu desejava estar sentada à frente dela no presente e olhá-la com um sorriso, quero-a bem a cima de tudo, se a minha ausência ajuda, a minha ausência dar-lhe-ei, até porque para mim é mais saudável também... hoje percebo ou consciencializo que efectivamente não podemos ser amigas... porque já fomos muito mais e há coisas que não se ultrapassam... precisava de perceber porque... acho que percebi... foi belo! Até já sem amanhã S.
Sines foi a viagem a que me propus... sem uma base de apoio, ai fui eu entre pessoas conhecidas mas que ainda me são desconhecidas, sempre acompanhada de uma liberdade plena... vivi bué, ri, chorei, andei, mergulhei... enfim mais uma viagem alucinante para não dizer mesmo delirante... dificil escrever sobre o meu fim de semana...
De volta ao mundo real... primeiro dia, olá... bora lá faço questão de dizer... cada vez mais consciente daquilo que me rege o vento, cada vez mais consciente daquilo que preciso da terra...

"Por isso não digas nada, o silêncio até pode gritar dentro de nós, o pó ter comido a cor das memórias, as traças terem comido a macieza dos gestos, as palavras podem gastar-se por não serem ditas, talvez se não as dissermos se gastem tanto que desapareçam, as borboletas morrem depressa."
A frase das minhas férias... no silêncio das palavras não ditas fica o sabor que lhe queres dar... o meu sempre doce...