terça-feira, 31 de agosto de 2010

Smells the same

A viagem continua vou apercebendo-me do percurso que sigo... continuo bem comigo... estranha a sensação de que nunca irei ser acompanhada... o encanto mantém-se por aquilo que sinto e nutro ser possível, sem pressuposto... mas já me dei de mais sinto... já me sinto perdida na ausência... não quero... quero não pensar em alguém... não estou ainda no momento de falar...
Quero tanto voar para uma realidade diferente... saltar do abismo de mão dada a alguém... diálogo antes com alto sorriso:
- Amor e se não tivermos asas fortes?
- Temos, acredita temos!
- Sim, vamos...
- Agora!
Saltar em conjunto e manter as mãos unidas e asas suportar-nos-ão no voo...
Hoje estou estranhamente triste... estranhamente inquieta... estranhamente estranha!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Viagem

Tenho medo de o ter... evito-o...
Ainda não consigo pôr por palavras aquilo que já percorri, nesta viagem que sinto que não embarquei sozinha... o tempo irá dar-me o descernimento para organizar tamanha informação em curto espaço de tempo...
Um dia fizeram-me uma pergunta, que na altura me deixou a pensar, "Que anseias mais numa dúvida: a resposta ou a espera dela?"...
As questões, as dúvidas são a minha sombra... "Encontro uma resposta, descubro duas questões!"... fase de dúvidas e questões que não me permito colocar a mim própria porque sei que não é tempo de ouvir a resposta... apercebo-me hoje que aquilo que mais desejo é a espera da resposta... elas vão surgir, gosto de saborear o percurso que o meu ser toma na procura das tão desejadas respostas... era mais fácil colocar a questão e resolver a dúvida... sim era, mas era fugaz, era pouco fundamentado, pouco sentido, pouco vivido...
As dúvidas nascem da insegurança imensa que me circunda... mas sigo confiante...
Agradeço-me por me ter permitido entrar em mais uma viagem... o comboio parou na estação onde há muito me encontrava sentada... passaram muitos, pararam imensos, entrei neste... porquê? encolho os ombros, não sei... não sei... ainda não encontrei a resposta... pouco importa o porquê... neste momento sei que estou... quando se entra num comboio à toa há momentos em que ficas tenso, estranho, questionas... "mas para onde me leva?!"... "não vi para onde ia!"... seja para onde for e da insegurança que tenha, tenho a confiança que dele se tiver que sair, sairem como entrei, comigo, de pé... mesmo que tropece no degrau da saída levantar-me-ei, porque sei quem sou! E depois para quê pensar sobre... quando ao meu lado se sentou a companhia ideal para esta viagem?! Enquanto o comboio não pára... partilhamo-nos em amena tranquilidade... é bom... é muito bom...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Delirio no Alentejo

As tão desejadas férias já são passado... mas foram um marco importante no meu ser...
Sinto-me pura... sinto-me estranha a falar de mim devo confessar... mas a forma como percorro o mundo, a forma como o exploro e me deixo explorar... a forma como as pessoas entram na minha bolha, a forma como me olham depois de terem entrado... tenho orgulho naquilo que construi...
São 28 anos de uma vida cheia de histórias que não faço questão de contar em passado, partilho intensamente o presente...
Há coisas que não se perdem, fazem parte da construção daquilo que é presente hoje...
Na quinta-feira passada um re-sentir de coisas... o tão sonhado objectivo vê-se revelado numa conversa não antecipada com o S., o fazer-me sentir e pensar ali no presente as minhas limitações, a minha falta de terra, a minha pouca prisão as coisas, a minha necessidade brutal de estabilidade, a minha dificuldade em me prender a algo material, o meu percurso esvoaçante pela vida, a minha responsabilidade desorganizada... obrigada S. por fazeres parte... o que te disse nessa tarde, como tudo o que te disse é real, aconteça o que acontecer, vou sempre precisar de ti, nunca te abandonarei... sinto muito o "peso" daquilo que sei que sou para ti, tenho medo por tanto saber quem sou... um ser extremamente independente... caminho bué só... transporto todos comigo, mas não faço questão efectiva que me acompanhem... já nos imaginámos como casal. já nos imaginámos como pais de um ser belo, já nos imaginámos sócios de um negócio com futuro... já nos imaginámos de várias formas, já extrapolámos a nossa "limitada" relação para patamares superiores porque temos de facto tudo para sermos um casal perfeito, uns pais perfeitos, uns sócio perfeitos, porque no fundo temos de base a relação perfeita... disseste-me hoje temos respeito e liberdade um do outro... amo-te é muito pouco disse-te um dia, digo hoje pela segunda vez... preciso-te!!
A consolidação através do sorriso do outro... bué importante aquela conversa em final de tarde, sem cobranças, sem questões exploratórias, no fundo o que eu desejava estar sentada à frente dela no presente e olhá-la com um sorriso, quero-a bem a cima de tudo, se a minha ausência ajuda, a minha ausência dar-lhe-ei, até porque para mim é mais saudável também... hoje percebo ou consciencializo que efectivamente não podemos ser amigas... porque já fomos muito mais e há coisas que não se ultrapassam... precisava de perceber porque... acho que percebi... foi belo! Até já sem amanhã S.
Sines foi a viagem a que me propus... sem uma base de apoio, ai fui eu entre pessoas conhecidas mas que ainda me são desconhecidas, sempre acompanhada de uma liberdade plena... vivi bué, ri, chorei, andei, mergulhei... enfim mais uma viagem alucinante para não dizer mesmo delirante... dificil escrever sobre o meu fim de semana...
De volta ao mundo real... primeiro dia, olá... bora lá faço questão de dizer... cada vez mais consciente daquilo que me rege o vento, cada vez mais consciente daquilo que preciso da terra...

"Por isso não digas nada, o silêncio até pode gritar dentro de nós, o pó ter comido a cor das memórias, as traças terem comido a macieza dos gestos, as palavras podem gastar-se por não serem ditas, talvez se não as dissermos se gastem tanto que desapareçam, as borboletas morrem depressa."
A frase das minhas férias... no silêncio das palavras não ditas fica o sabor que lhe queres dar... o meu sempre doce...