domingo, 25 de outubro de 2009

Enjoy the Silence

Sem dúvida que as palavras são o fel de uma sociedade de humanos insaciáveis de conversas, de diálogos... as palavras foram criadas por necessidade de expressão, de transmissão, de partilha... cada vez mais se adultera o motivo pela qual elas foram criadas... são usadas como mascara, como forma de nos escondermos... nada mais servem que para transmitir informações de terceiros... cada vez mais se contêm as palavras puras, aquelas que só se fazem ouvir em cada um de nós...

Não, não usei ninguém... não, não magoei ninguém... sempre usei a palavra na primeira pessoa e se não fiz nunca o foi com intenções terceiras ao que efectivamente foi proferido... receio estar numa fase em que as palavras que só eu ouvia se soltem sem freio... cansada do silêncio... cansada de me comedir por receio da questão... no fundo protecções que uso e faço delas a forma de evitar o confronto de questões que as farão soltar mais facilmente...

Porque não somos sinceros connosco, porque ultrajamos o nosso eu em prol do que é suposto ser... não quero, não consigo... o silêncio ocupa o lado de pendura numa viagem em que necessito de co-piloto... mudança de parceiro sente-se necessidade, mas a confiança neste que há anos me acompanha faz-me temer a mudança... continua a permanecer como o grande aliado, mas cada vez mais, a cada dia, a cada momento me casa a sua forma de me co-pilotar... sinto que me engana, que não me dá o caminho mais fácil, mais curto, melhor para o meu objectivo...

EXISTIR SEM RECEIOS!

"Que se passa?"... pergunta de um domingo... "não se passa nada!"... resposta de um domingo...

Não há algo concreto... não é uma situação... não é um momento... não é uma expectativa falhada... não é um ausência de algo... é tão e puramente o meu silêncio nas situações, nos momentos, nas expectativas falhadas, na ausência de algo...

Como me disseram na Sexta-Feira entre duas cervejas... "V. não és a Madre Teresa de Calcutá, não tens de perceber todas as pessoas!"... sim não tenho S., mas percebo algumas... mas sim não devia... cansa-me... pelo simples facto de essas mesmas pessoas não me perceberem a mim... expectativas que aprendo a gerir, a organizar, a filtrar, a matar (antes que morram)!!

Não se trata de descrença, trata-se de análise da realidade... só posso contar comigo e com aquilo que me dão no presente...

Estou estupidamente apaixonada... ridiculamente absorvida...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

New Reborn

As necessidades fazem-nos repensar, repreocupar, recriar...



RENASCER...


Sinto um mal estar interior como nunca o senti, explicar não é fácil, apenas sinto-me oca... talvez por estar mais centrada em mim e perceber que efectivamente estou só, conseguir não depositar no exterior os meus problemas, as minhas falhas... gerir em mim tudo... é pesado, cansa!!!


As mudanças acontecem no exterior, na prática, na acção... quando é visível para os outros ela materializa-se...
Próxima aprendizagem... saber dizer que não... aprendo à medida que me cruzo com o mundo, com as pessoas, com as entregas que me permito... que sou diferente, sério... sou um ser egoísta, sim sou... sou um ser egocêntrico, sim sou... não exijo que os outros não o sejam... exijo apenas que tomem consciência do que são, das acções que tomam... porque olhar para o outro e dizer: ah! sim V. tu isto e aquilo... a V. acena a cabeça com gesto de conivência, porque sim, não sou perfeita... mas tenho consciência de mim, das minhas acções, das reprecursões dessas acções nos outros... mas custa-me, angustia-me, magoa-me perceber que a maioria das pessoas não têm noção daquilo que fazem... não me cobrem mais do aquilo que tenho para dar... que é bué... triste por não valorizarem... até sentir que nem o sentem...
Ouvir os problemas dos outros... falar com os outros... estar disponível para os outros... e EU! estou completamente perdida... quem se preocupa? ninguém pelo simples facto de não andar com cara de merda... ultimamente até isso já não consigo gerir... mas depois quando abro a boca não me faço sentir... cansada... tão cansada... imenso cansada!!
Encolho os ombros... sei que serei feliz... sei que sou diferente nos outros... sei que serei sempre um ser solitário porque nunca ninguém conseguirá comunicar com o meu ser como um todo... mas sei que serei feliz... porquê? porque não culpo ninguém das minhas falhas... a vida é tão simples e redutora ao não culpes ninguém por aquilo que és...
Objectivo pessoal para o futuro... sonho com isso... anseio por isso... vou tirar o curso para o qual nasci... CINEMA... vivo hoje a imaginar curtas... capto o mundo e realizo as minhas histórias...
Olhei para o programa do curso e saltou-me no imediato... História do Cinema... perguntar-me porquê, para quê cinema? por prazer próprio... não anseio nada... apenas realizar-me interiormente...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nada de tudo que sou...

O corpo que sente...
a alma que pressente...
a tua presença,
a tua ausência.
Fico imóvel, a flutuar,
num estado de esperança,
que quando se quebrar
me vai levar a crença
de um sonho por realizar,
a vontade de respirar!
Desejo de te encontrar,
sentada numa esquina,
correr para abraçar
esse corpo de pequenina.
Tenho de fugir...
Cansada de sentir...
Desejo de alimentar
algo que me está a consumir!
Cansada de criar...
Medo de deturpar...
O momento perfeito
em teus braços cair,
teus lábios sentir.
Tempo passa e não surte efeito.
Não quero o imediato,
mas anseio o contacto.
É preciso calma dizem...
É preciso calma sinto...
Presença de mim exigem,
para todos, para mim minto
que sou um ser presente,
quando estou, no fundo, ausente.
Perdida em ti,
por ti parti,
de mim,
sem previsível fim...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

24h party people

Tinha de acontecer... sensação de vazio brutal... no final de sete meses sinto-me mal... necessidade brutal de me fechar em casa e nada sentir de novo... quando será que deixarei de sentir?!
Senti bué ontem... senti demais... o sonho a seguir o seu caminho natural, o desabar do mesmo... sentimentos antagónicos... sim de facto pouco ou nada muda... pouco ou nada faz sentido... mas já mudou... mas já senti... fica a sensação estúpida de mais uma vez não ter valido a pena... que faço eu nas ruas de uma vida vazia de nexo... onde tudo o que desejo é sorrir e não fazer mal a ninguém... mas faço, as lágrimas ocupam o espaço de um rosto que foi criado para sorrir... mas sem vontade se erguerá amanhã para mais 24 horas num mundo que exige que sobreviva... apetece-me desistir... talvez já o tenha feito... resigno-me à necessidade de continuar na festa vida da melhor forma possível... estou cheia de mágoa... de dor... o corpo está pesado... serei louca num mundo sã, ou sã num mundo de loucos...
Prometi a mim mesma que não voltaria a deprimir aqui... não fui capaz... falhei... comigo...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

εγχειρίδιο

Felizmente não percebo grego, quero acreditar que o meu manual ainda se encontra por traduzir... se é grego não me ensinem...

Mais longe... mais perto... do quê não sei... não quero saber... sigo os impulsos...
Não é fácil... não complicamos... as coisas são complicadas... simplesmente há capacidades de as relativizar ou não... não é fácil acordar, sorrir, viver... depois da incontornável realidade de que não posso viver ao lado de quem amei e me amou... mas há a capacidade de re-sorrir de novos encontros, re-viver novas partilhas... não é fácil... a vida não é fácil, mas é a única coisa que temos efectivamente...
Não é fácil viver sozinha, reencontrarmo-nos... olho e reflicto nas acções... não estou diferente, sou a mesma... vivo de forma diferente... quem se alheou de me sentir no presente, olhando-me como reflexo do passado, como eu o faço às vezes, é estranho, é esquisito... é diferente... porque o meu mundo é diferente... vou para a rua beber copos porque não há alguém a jogar computador sentado num sofá... não fico acordada até amanhecer sentada imóvel ao lado de alguém num sofá porque não existe algúém, muito menos sofá... existe hoje a rua... a cerveja... os passeios... o Copenhaga... o Maria... os amigos... os policias... existe vida como outrora houve com expressão diferente... mas sempre EU... um ser que vive intensamente cada momento com a sua dose de inconsciência, porque o manual foi editado em grego... e ainda bem...
Vivo por mim... para mim... partilho com aqueles que me querem no presente, tudo... dou aquilo que me "exigem"... hoje a diferença passa pela consciência... hoje apercebo-me porque estou, porque "erro", porque me canso... porque quero... porque faço questão de estar... de dar... de receber... a quem está online...

domingo, 4 de outubro de 2009

Apêndices

Dissertação de uma manhã solarenta... os acessórios da vida... os floreados criados para dar sentido ao que por si só já o tem, mas exigimos que se torne mais explícito e acabamos por não perceber que só faz com que se perca o verdadeiro sentido... exemplo disso o segundo nome... bom, digamos que é giro... penso em mim a escolher um nome... a conjunção das palavras o todo como perfeito... mas a essência, o reduzir ao essencial, porque no fundo o resto é apenas isso, o resto de algo que é fudamental... invade-me a vontade de explorar o cerne de mim... sou V. só... sou porque alguém teve a ousadia de não florear... mas que antes e depois da audácia teve a necessidade de escolher mais três nomes e não o fez... mas no fundo somos e seremos sempre criadores de apêndices desnecessários, até porque como tudo provém da origem, nós próprios temos um Apêndice... mais uma vez extrapulo para o meu eu e de facto até esse já me foi tirado... o interessante é que existe um prazo para ele sentir necessidade de fuga, o meu foi logo no primeiro momento em que teve oportunidade, o meu corpo rejeitou-o... "se não passas de um apêndice porque terei de andar contigo"... como acredito que as coisas têm sempre uma sequência lógica, não que seja aquela fundamentalista matemática da vida... mas interpreto tudo como uma sequência mutável, porque efectivamente tudo é mutável e flexivel... tu transformas transformando-te em comunhão... não há partes isoladas... há a essência... há a dúvida... há a questão...


há uma caixa... e há sempre um tampa...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Serenidade...

Estou calma...
Depois do turbilhão, em que nem das cuecas sabia, volto a encontar-me... num espaço novo... sinto-me crescida... a vida é uma constante aprendizagem... de facto tudo é possível se nos predispuzermos a tal... sinto-me orgulhosa de mim... ainda meio perdida, mas confiante que aquilo que ainda está por resolver, se vai resolver... desde Março que ando a lutar comigo, a aprender a resolver os meu problemas... não foi fácil não ter alguém a quem recorrer... os amigos, os pais, estiveram e mais que nunca estarão sempre, são a base... mas parto hoje para cada adversidade, cada conquista mais confiante... não existe mais aquela miúda que não ia pedir um café sozinha, aquela miúda que não entrava num sitio sozinha... hoje permito-me... não mudei, serei sempre a pequenina que falará baixo, mas faço-me ouvir... porque se eu não confiar em mim, quem confiará? se eu não acreditar em mim, quem acreditará? pois... ninguém...
Mais que nunca estou acompanhada... mais que nunca estou só porque quero...
Olho à volta, vejo as minhas coisas, a minha Mine e penso: sou feliz... consegui... estou sozinha... encolho os ombros... o telefone toca... vamos sair diz a mensagem... vamos digo eu...
Descobro o mundo pelas mãos dos outros... desde Março que descobri bué cenas... se as fosse descrever todas aqui perderia a minha noite, coisa que não o vou fazer... é meu... sorrio... ainda há tanto para descobrir, por isso vou-me preparar... não preciso de mochila porque não vou para o deserto, nem para a selva... mas vou sem expectativas... vou para poder estar no palco da vida... lá fora...
Apercebo-me que serei sempre preenchida porque o cultivo... porque serei sempre um ser depressivo, agarrado ao passado, com momentos de melancia bucólicos, mas sou um ser bué disponivel para viver... para voar... hoje como ontem e amanhã irei voar mais um coi...
Gosto tanto de alguma pessoas que faz confusão... nunca ninguém entenderá a minha forma de amar... aprendo no presente a não pedir nada senão aquilo que está guardado para mim...
Estou resolvida...