terça-feira, 21 de abril de 2009

DIAS VIVIDOS

Isto de estar sem net, sem telemóvel, ter de levar comida para almoço, contar os trocos, apesar da necessidade inata do ser humano por dinheiro, tem-me feito bem... obrigada a todos os que me têm ajudado monetáriamente... e não só...

Porém dou comigo a pensar que escrever... tanta coisa que já aconteceu desde o último post...
Sem dúvidas que o mais relevante é o que tenho VIVIDO... tenho vivido mesmo bué... acordo todos os dias independentemente das horas dormidas com vontade de sair da cama... AMO o meu novo trabalho... mesmo após uma semana a dormir apenas 3/4 horas por noite, lá fui eu todos os dias emocionada... e quando se está bem, tudo corre bem... e nada como ser reconhecida pelo trabalho que fazes...

E depois as horas poucas de sono é porque trabalhar as 10h às 22h30 são muitas horas de trabalho e há que aproveitar as outras 11h30 do dia... e eu tenho aproveitado BUÉ! :p
No fundo vim com uma ideia de apenas dizer que estou bué realizada pessoal e profissionalmente... a escada está lançada... estou de frente...

A N. no outro dia no carro com uma grande moca, ambas, eu e ela... a dissertar sobre as nossas diferenças... ela dizia-me "pá sério eu sou bué simples pá, tu és bué complexa"... "tipo imagina, se aparecer uma taboa à minha frente, eu penso vou contornar, ponto final... tu nepia, tu paras avalias se contornas, se pela direita ou esquerda, e melhor vais perceber de onde veio aquela taboa, sério, eu sou bué simples!".

Sem palavras N., tens razão, sou bué assim... mas não sou tão ou menos complexa que qualquer outro ser... no fundo a simplicidade é um estado de complexidade saudável, a minha complexidade é menos saudável talvez, não sei... também não quero saber... ou até queira mas não vou partilhar como penso de onde vem a minha complexidade, porque sim já pensei nisso, como em tudo o que vivo, se vivi é porque já foi pensado...

Amanhã estou de folga... :(

sábado, 11 de abril de 2009

DONNA MARIA

O que se ouve... um sábado:
- Onde andas miúda?
- ´Tou a jantar, depois vou para Alenquer ver os Donna Maria.
- Donna Maria? Que é isso?
- É uma banda portuguesa muito fixe... tipo Deolinda mas melhor...
- Parece-me bem! Encontramo-nos em Alenquer então. Beijo.

Amei... Amei... Amei... para quem tinha dúvidas ainda se faz muito boa música em Portugal... dancei a noite toda ao som de uma voz única, de arranjos brutais... sensações novas... liberdade da descoberta... Ansiosa para os ver novamente, agora mais preparada, com as letras entranhadas... Têm uma banda de covers que toca todos as segundas-feiras nos Templários, diz-me a Rita:
- Conheces Donna Maria?
- Ya!!!! Não! não me digas que também conheces?
- Pá curto bué, ainda os vi na segunda... a banda que eles têm de covers.
- Sério? xiii, perdi isso!
- Mas eles tocam lá todas as segundas.
- Sério? onde?
- Nos Templários, ali ao pé do Quarteto!
- Fixe!
- Olha vamos lá segunda?
- Ya. Saio trabalho às 22:30, depois sou livre!
- Combinado! Vou buscar-te então!

Mas como sempre sou demasiado obcecada para me contentar com pouco... quero sempre tudo... e o resto do tudo... E não é que encontro um concerto marcado para dia 28 de Maio, meu presente de aniversário...

sábado, 4 de abril de 2009

Estado bom...

“Não se dá peixe, ensina-se a pescar!”

Sinto que sempre me deram o peixe, nunca aprendi a pescar... no fundo a arte de pescar nunca tinha tido encantamento para mim, nem para o comum mortal, poucos são os que têm prazer em colocar o isco no anzol e esperar que o isco dê os seus efeitos, desses poucos que têm esse prazer, poucos são os que efectivamente conseguem pescar algo, mas não desistem, voltam ao rio ou os mais aventureiros ao mar para tentar novamente, tentar não porque tentar não é nada, tentar é para quem não quer efectivamente algo, no fundo aprendi que tentar não é sinónimo de fazer todos os possíveis para…
Quase todos nós já passámos pela experiência de um domingo de pesca… mas a grande maioria achou a experiência uma seca, outros engraçada “mas não tenho paciência”… é reflexo de que somos todos de consumo imediato, todos nós gostamos de peixe no prato e bem cozinhado, mas ninguém pensa no processo até aquele peixe chegar ao nosso prato… para quê pensar… para quê valorizar?

Estou numa fase de aprendizagem… prazer no processo de pesca do peixe desejado… ainda desejo muito pouco… estou mais objectiva… sinto-me triste porque sinto que sonho menos, mas estou bem com o facto de exigir menos do mundo de mim… faz com que me surpreenda mais facilmente com o que vou encontrando… é interessante observar-me nos outros… estou diferente, serei sempre eu, os princípios não mudam, a base manter-se-à sempre… mas estou mais confiante… mais que nunca assumo:

POUCO ME IMPORTA.
POUCO ME IMPORTA O QUÊ? NÃO SEI: POUCO ME IMPORTA.

Sou eu no mundo hoje… as coisas acontecem… acontecerão sempre… não há forma de evita-las, há apenas forma de as gerir… para que alimentar o filme de terror quando se tem a conta bancária a descoberto, e se tem o telemóvel, internet desactivadas por falta de pagamento? Para quê me consumir quando se tem a conta bancária a descoberto sem telemóvel e chegas onde estacionaste o carro ao final de um dia de trabalho e apenas vês o passeio vazio… “onde está o carro?”… vazio… sim senti… são só 90€, obrigada R… bora sair? É sábado… não vou ficar a lamentar… não alimento mais… não posso evitar… o que tem de acontecer acontecerá… cabe-me apenas gerir… aprendi a gerir… e as coisas têm-se sucedido… porque tudo é tempo… há que estar acordado para ver e receber aquilo que nos passa ao lado…

Sinto o presente como nunca… estou bem como nunca me senti… não é felicidade, porque isso é um estado difícil de atingir, confesso que temo não voltar a senti-la, porque a felicidade só se atinge com um estado brutal de inconsciência e irracionalidade… estou demasiado consciente e racional… mas estou realmente bem comigo, como o mundo… vazia sim, mais vazia que nunca, mas só se pode encher o que ainda não está cheio… como menos sonhos, sim com menos sonhos, mas os sonhos ocupam muito espaço, e deixam pouco para aquilo que o presente nos dá… não é perfeito, não!não é… mas a perfeição não existe… existem pessoas…