domingo, 10 de janeiro de 2010

Bolso de trás...

Deitada sobre o meu corpo li os poemas do S., encontrei-a num deles... transcrevi... ainda não tive coragem de o entregar mas o bilhete acompanha-me até ao momento certo...
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Meditação

Vincado nos cantos da boca o sorriso espreita,
Feliz por ser quem é,
Delicado, bucólico, leve!
Por momentos sentes o inevitável:
O caminho negro das árvores,
O rebanho não te acompanha, jamais!
Nos encantos do Sol nascente brilha o rubor da tua face,
Ao cimo da rocha deslizante, polida,
Um sentimento duradouro, perecível.
Nas profundezas atarefadas da alma,
Buscas incansável o quente da paixão,
Sem nexo, espontâneo, deslumbrante!
A passos largos, ritmos cadenciados,
Assalta ao largo a ternura imensa,
O encanto máximo!
Firmas o segredo nas mãos gélidas,
Grita a inquietude sufocante pelas paredes limpas do sentimento,
Abafas o som da alegria que te encaminha,
Louca, livre, voluptuosa!
Acreditas na manhã quente e a Lua ainda não se pôs!
O trânsito alucinado corre nas veias, encantado,
E mais uma vez, quedas negro o corpo inerte,
Floresta de sentidos por entre as rochas,
O verde murmurante nas folhas das árvores,
O branco brilhante nas flores luxuriantes!
As palavras nascem nos beijos mortos,
Encosto de lábios secos, de chuva que não cai,
Lágrimas saudosas de não chorar.
Tortuosas pedras descalças na calçada do firmamento,
Onde todos se encontram, tudo se funde;
Onde tu te escondes, num ninho só teu,
Nicho caloroso de penas soltas.
A música que ferve nos ouvidos,
Solta lamentos de alegria dissimulada,
Fracos sons de alma esquecida,
Tons vagos arrítmicos.

És só tu,
No encanto do infinito!
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Apenas, e só, mais um pouco de mim que te pertence... talvez não entendas, eu própria pouco percebo, também pouco me questiono sobre... vivo, sinto... e tenho de o materializar... em palavras, em gestos, em acções, em silêncios, em procuras, em fugas...
Tenho medo de o ter,
Sinto-me livre sem o ser.
Presa no inconsciente,
De um prelúdio iminente.
Gosto (ponto!). Apenas e só... isso...
Beijo
V.P.

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