terça-feira, 20 de julho de 2010

Gosto vs Liberdade

Cansada... há quase dois meses que só penso em férias... destino ideal sem pessoas, eu, o tempo e uma tela... destino está marcado... porque finalmente consegui os tão desejados dias... e lá irei eu...

Esta ansia insessante por um retiro espiritual tem sido confrontada com a dificuldade de o antecipar... porque quanto mais foges mais acasos acontecem...

Falar de do meu ultimo mês e meio seria um tédio porque as histórias a contar são sempre emocionantes como se de capitulos de um livro pouco interessante com o titulo de "Os Acasos de V. P."... seria uma ironia melodramática... que até a mim protagonista principal enfada...

Sinto necessidade de reler os dois ultimos capítulos:

Penúltimo Capítulo

A paz almejada sente-se... semana de pura paz eu, a minha casa, a minha música, o meu silêncio, a minha moleskine, as minhas tintas... quando tudo parecia perfeito o turbilhão, os encontros casuais, o estar na rua, as pessoas estarem cá dentro... o depósito de informação adicional... a tentativa de fuga... a impossibilidade imposta de fugir... viver, viver tudo como sempre... se é para ir bora toda... fui, parti como sempre em cima de mim... caminhar para um sitio onde já vi várias séries da minha vida... reviver tudo... sozinha no meio desse espaço nunca antes tao cheio... chorar, rir, cantar, dançar, quedar nas estrelas que são as únicas que permanecem para além de mim... partir como entrei sem olhar para trás à procura de algo, já tinha tudo... o prazer da primeira vez de Peaches... o ir à procura de mim no S. revejo o ser, o confronto com aquilo que preciso de responder, o sentir o prazer de um dia perfeito nos olhos do ser e pensar não sabes quem eu sou...
Como sempre o que vivido em liberdade plena tem condicionantes que são as liberdades e prisões dos outros... o reviver de momentos identicos, a percepção de que não mudarei nunca... mas a diferença faz-se sentir... não voltarei a ser quem era... apesar de nunca deixar de ser aquilo que sou... cinco dias de uma semana que parecia nunca mais acabar... a percepção daquilo que ao final do último capitulo se revela ser o meu estado:

" Como o reflexo de uma pessoa sentada na estação do comboio, passa o comboio e pela velocidade deste ou pela dormencia da acção apenas o acompanha com os olhos, pensando quando se vira para trás, era ele... não a acção desejada para o mandar parar, que no fundo era o objectivo de ali estar sentada."


Não faz sentido, mas percebe-se no final do

Último Capitulo


Final de semana alucinante do vou, não vou, vou sozinha, vou acompanhada... lá fui eu para onde melhor me sinto, concertos... mochila às costa... sentativa de cabeça vazia, relativizar tudo aquilo que por ela fazia questao de passar... vi um dos meus melhores concertos Pet Shop Boys, re-apaixonei-me pelo Julian Casablancas, senti de novo o Tiago Bettencourt, fiquei em transe com Prince, entre muitas coisas que senti, sempre em paz, em segurança que nada me faria quedar aquele prazer... ali estava eu no meu mais puro estado, eu a música e a multidão... sou abalroada por uma fila de pessoas... uma delas o ser... aquilo que estava em paz, tremeu, vassilou, arrepiou, perdeu a razao, partiu à procura, a prisão de não mais voltar a mim... a música fez questão ela também de me abandonar... ali estava eu no meio da multidão no final de mais um festival à procura dela... o olhar vazio pelas pessoas que se cruzavam e não tinham o cheiro dela... o andar à deriva... o acordar "Olha quem é ela!"... o que já tremia, gelou, o que já estava instavel quedou-se... o sentir tudo e nada... não conseguir relativizar nada... o querer evaporar para a almofada, o querer fazer delete há ultima meia hora da minha vida e nada acontecia a não ser o play do jogo social... bora lá acabei por assumir... tem de ser... ali estive quando não queria, ali me senti mal quando não merecia, ali senti-me a incomodar quando nada fiz para isso... tudo passou, tudo senti, nada agi...
No pós de mais um acaso sinto-me estranha... aquele ser é uma sombra eterna... é com ele que adormeço todos os dias independentemente daquilo que viva durante o dia... não que pense nele diariamente, mas a limitação da exigencia que imponho naquilo que se segue no pós ela... e vê-la é a necessidade de me esbofetear a mim e a ela...
Hoje estive com ela como há muito não estava, como há muito não me permitia estar... reviver aquilo que vivemos em pensamento de como seria um momento com ela onde eu tivesse liberdade em mim para agir...

A quem tudo dei, nem um abraço me conseguiu dar...
A quem tudo demonstrei, nem um olá me conseguiu dar...

Como nada fiz para que tivessem nojo da minha pessoa custa-me a acreditar que me tivessem ignorado por isso, leva-me antes a pensar nas limitações e defesas criadas para não se permitir sentir... não é um crítica até porque cada um segue aquilo que julga ser melhor para si... mas uma coisa é perceber, até percebo que o façam, outra coisa é entender, não entendo como conseguem...

4 dias para a paz que, mesmo que curta, vou sentir... destino é segredo até porque ainda não decidi... só sei como vai ser...

SOZINHA!

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