segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mente cansada...

Apercebo-me que sou diferente... que não guardo o belo para proveito próprio...
- Ontem já estava um bocadinho bebeda...
- Bebedeira não é desculpa para nada!
- Mas eu não estou a tentar desculpar nada...
Sim se há coisa que não sinto necessidade é de pedir desculpas a quem quer que seja, consciência tranquila de que nada fiz de mal... simplesmente fui exagerada, inoportuna talvez... mas apenas dei, nada exigi, como aprendi a não fazer... recebo o que têm guardado para mim... fizeste sentir o incomodo, recebi, fiquei... não fiquei chateada, magoada... apenas fiquei comigo como sempre estive...
Dia louco o de ontem, no culminar de uma semana estupidamente extenuante... gelei... não acredito em merdas de destino, nem procuro nada... apenas interpreto com os meus olhos aquilo que se passa diante de mim... porque as melhores respostas às dúvidas e questões estão em ti, no teu corpo... eu senti... partilhei... não era para constranger... era apenas para ficar a saber o quão foi importante para mim... não a espero literalmente a ela... mas é a materialização de que o meu mundo imaginário pode ser real... explicar que não a desejo, desejando-a? explicar que abraço-a sem intenções secundárias mas que o meu corpo se recente?... sei o que tenho e o que nunca terei, não procuro o impossível, por isso não a procuro a ela... procuro a paz que um dia senti a seu lado... e que por incrivel que pareça continuo a sentir nos breves momentos de partilha, apesar de saber que não me pertence... porque não lhe consigo esconder nada, porque só com ela consigo ser eu, um ser pequenino... não quero que tenha pena, nem preocupação... angustia-me saber que a peso, que a canso... mas não consigo ser vazia com ela, do está tudo bem e o tempo amnhã vai estar melhor e lá lá lá... não quero nada senão que continue a fazer-me ser transparente 100%.
Feliz ou infelizmente a vida dá voltas mas nunca a 360º, por mais semelhante que seja nunca consegues voltar aquilo que eras... porém hoje no início de uma semana sinto que me libertei de mais uma rotunda... dói, dói mesmo muito... perdida ainda na saída que "escolhi"... receio do novo caminho que se inícia... as rotundas são comodas, controláveis, deixaste ficar até te aperceberes da prisão em que estás, da privação que te impões... rotunda C. teve ontem o culminar... o entrar num espaço onde entrava com olhos vidrados nela... olhar para tudo e os meus olhos não a procurarem, não procurarem o sinal que procurava de todas as outras vezes... refugiei-me, protegi-me não nego mas não procurei nada para alimentar mais uma volta na rotunda... gosto daquele ser, o porquê enfim pouco é relevante, gosto porquê gosto, porquè sinto... mas ontem depois da partilha com o ser mais importante da minha vida, apercebi-me que não me posso privar de viver por mim...
Estou exausta... peso-me... não sei ainda que merda ando a fazer... porque tenho de continuar a andar ao ritmo que me impõem... continuarei a caminhar... não se assustem quando digo estou cansada de viver, não é sinónimo de querer morrer... é tão simplesmente aquilo que sinto, como sempre o fiz quando me permiti falar de mim, porque ou me calo ou digo tudo... não quero tudo só para mim... por mais estupido e ridículo e transparente e bucólico que seja... é tudo!
Acordei como se tivesse sido atropelada por um camião de rodado duplo com reboque, carregado de pedras mármore... imponho-me a sentir cada roda que passa por cima do meu corpo, imponho-me a sentir cada negra que se aloja na minha mente... como uma ferida, um corte na ponta do dedo... os anticorpos actuam, criam defesas, o sistema imunitário adapta-se para te tornares mais forte aos micróbios com que te privas dia-a-dia... assim acredito que amanhã estarei mais forte quando o despertador tocar...
Podem julgar que sou uma depressiva bucólica que alimenta tudo o que é negativo... mas a realidade é que alimento o que de bom me acontece à exaustão e apercebo-me que a vida são particulas de momentos... e que existem instantes decisivos... um dia quando ouvi temos de sair de Portugal, esse foi o instante decisivo em que eu não corri para comprar o bilhete de ida... já passou... um dia quando se sentou no lugar do pendura, depois de ter dito "eu vou com ela", esse foi o instante decisivo para dizer o quão é importante para mim... para a frente segue tudo menos o caranguejo, mas nem esse segue para trás...

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