Sem dúvida que as palavras são o fel de uma sociedade de humanos insaciáveis de conversas, de diálogos... as palavras foram criadas por necessidade de expressão, de transmissão, de partilha... cada vez mais se adultera o motivo pela qual elas foram criadas... são usadas como mascara, como forma de nos escondermos... nada mais servem que para transmitir informações de terceiros... cada vez mais se contêm as palavras puras, aquelas que só se fazem ouvir em cada um de nós...
Não, não usei ninguém... não, não magoei ninguém... sempre usei a palavra na primeira pessoa e se não fiz nunca o foi com intenções terceiras ao que efectivamente foi proferido... receio estar numa fase em que as palavras que só eu ouvia se soltem sem freio... cansada do silêncio... cansada de me comedir por receio da questão... no fundo protecções que uso e faço delas a forma de evitar o confronto de questões que as farão soltar mais facilmente...
Porque não somos sinceros connosco, porque ultrajamos o nosso eu em prol do que é suposto ser... não quero, não consigo... o silêncio ocupa o lado de pendura numa viagem em que necessito de co-piloto... mudança de parceiro sente-se necessidade, mas a confiança neste que há anos me acompanha faz-me temer a mudança... continua a permanecer como o grande aliado, mas cada vez mais, a cada dia, a cada momento me casa a sua forma de me co-pilotar... sinto que me engana, que não me dá o caminho mais fácil, mais curto, melhor para o meu objectivo...
EXISTIR SEM RECEIOS!
"Que se passa?"... pergunta de um domingo... "não se passa nada!"... resposta de um domingo...
Não há algo concreto... não é uma situação... não é um momento... não é uma expectativa falhada... não é um ausência de algo... é tão e puramente o meu silêncio nas situações, nos momentos, nas expectativas falhadas, na ausência de algo...
Como me disseram na Sexta-Feira entre duas cervejas... "V. não és a Madre Teresa de Calcutá, não tens de perceber todas as pessoas!"... sim não tenho S., mas percebo algumas... mas sim não devia... cansa-me... pelo simples facto de essas mesmas pessoas não me perceberem a mim... expectativas que aprendo a gerir, a organizar, a filtrar, a matar (antes que morram)!!
Não se trata de descrença, trata-se de análise da realidade... só posso contar comigo e com aquilo que me dão no presente...
Estou estupidamente apaixonada... ridiculamente absorvida...
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