Ontem num final de tarde... sentada num dos sítios mais belos onde já estive... talvez por me ter sentado a primeira vez naquelas pedras sozinha... relembro o motivo... fui... irei sempre... porque as asas da emoção sobrepor-se-ão sempre... entre cigarros, cerveja e o "Ocasião"... ali estive... a fingir que lia os anúncios... a mente foca-se em tudo menos nas pequenas letras... deixo-me levar... deixo de me mentir... fecho o jornal...
permito-me deitar sobre a pedra... as costas doridas ressentem-se mas alma exige... ali fico a olhar o céu azul... o branco que ressalta das nuvens que estão de passagem... sorrio... com aquele sorriso de quem é perdido... descubro-me... sou um pássaro consciente num mundo de humanos... falta-me a terra reparo... não me prendo a nada... fico livre, como só os seres com asas sabem, para seguir o rumo do vento... às vezes pousada estou, calma, na tranquilidade dos dias sem vento, sem turbilhão de emoção... mas quando ela chega, quando a aragem faz questão de se fazer sentir... o corpo pulsa de emoção... a razão baixa para um nível inferior... ali fico à espera da rajada de vento que me eleve... voo como louca, com os olhos focados no ponto mais alto, mais longinquo... vou sem olhar para trás, mesmo de quando em quando olho, não me é suficiente para parar a viagem a que me propus... a queda como sempre doi... pelo simples facto de não ser um ser com asas, mas sim um ser humano... esses que nascem com o livro de instruções, como viver... que peças adquirir no meio do caminho para chegar ao fim vitorioso... olho o ser humano e parece um videojogo... não quero jogar comigo... ou melhor não sei... contrario tudo... não passei ainda do primeiro nível... não vou sair vitoriosa... mas também não vai aparecer nunca o indisejável GAME OVER... porque nunca o temerei... porque não vivo para vencer... luto para viver...Apercebo-me que poucos são os momentos em que nos permitimos ao prazer... acordamos porque temos de trabalhar.... trabalhamos porque temos de ter dinheiro... temos dinheiro para comermos (sobrevivermos) e criarmos a nossa base para sermos aceites perante os pares...
Onde está o prazer pelo simples prazer de acordar?
Onde está o prazer pelo simples prazer de trabalhar?
Onde está o prazer pelo simples prazer de comer?
Onde está o prazer pelo simples prazer de amar?
Temos de amar! Temos de ter alguém... "Hei, vives sozinho? Ninguém vive sozinho... só os loucos!"
Onde está a inteligência dos seres superior que somos em relação aos demais seres na natureza terrestre?
Consideramos os outros seres não inteligêntes, porque seguem os instintos, são pouco flexiveis... enfim... o que somos nós seres de capacidade superior...
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