domingo, 13 de setembro de 2009

Criação de uma luz

Fui sem pretenções, apenas matar a saudade dos olhos que alimentam a alma, de um ser desejoso de carinho...
Os olhares que se cruzam e não se estrenham, fica no ar a curiosidade mútua de quem gosta do que os olhos veêm...
O sair, o corpo que se cruza, perto do meu, sem contacto, pois o medo de quem sabe que se tem de proteger disso que chamam de partilha...
Já satisfeita e saciada, sinto o toque de quem ousa ainda manifestar a presença, "Estou aqui, reconheço-te, gosto da presença, procuro."...
Volto-me, vejo um ser que mexe comigo sem me tocar, agora tocando nada mais desejo que o desbloqueio, o conhecer...
Há interpretações que só a mim pertencem, "Amanhã vou ao estádio."...
Lê, relê! São recebidas no destinatário a comunicação, fica dentro de si...
É nada e tudo, um mundo por descobrir a cada momento, depende da perspectiva...


Tenho medo de o ter
Sinto-me livre sem o ser
Presa no inconsciente
De um prelúdio iminente
Nada sou, senão eu
Talvez, nada serei
Enquanto não for teu
Sei que existirei
Aqui em mim
Não aceitarei o fim
De algo que construí
Que em mim, por ti, nutrí
Anseio a partilha
Luto por amor
Temo a dor
Desejo calor
Sonho sem pudor
O céu está nublado
O belo mantém-se acordado
Olho e só vejo que brilha.

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