sexta-feira, 5 de junho de 2009

Egocêntrica... Dizem... Sinto...

"Culto, amor excessivo de si mesmo."
Talvez sim, talvez não... não sei ainda não pensei suficientemente nisso... às vezes sinto que não dou espaço para os outros falarem... sinto que perdi o momento de sugar um pouco mais do outro... mas dou comigo a pensar na mudança... na descoberta... e penso estou mais eu... sou só eu... por mim... de facto sou eu o centro das atenções do meu mundo... não quero, não sei se me permitirei a fazer de outro alguém o centro do meu mundo, tão ou mais que eu... percebo, sentindo, agora que de facto quando se está só durante algum tempo dificilmente se deixar alguém ocupar o espaço do lado... sinto que dificilmente colocarei alguém à frente da minha atenção em prol de mim... nunca fui assim... sempre fui egocêntrica... fodasse todos os somos uns egocêntricos não me venham com lições... mas há níveis... o meu está em altas, sim está... pela primeira vez gosto do meu mundo... eu... mas não deixo de amar... de ter prazer em vos ter... em mim... não mudei... estou diferente no mundo, mas cá dentro continuo a mesma pequenina ou nica como me descobriram... não quero que outro alguém o descubra... pelo menos para já... para breve... não nego que quero voltar a entregar-me... a sentir que tudo pára quando alguém se aproxima... mas não já... tudo o que peço neste momento... estar só... comigo, contigo e contigo... sem ninguém... COMIGO...
Hoje em conversa... sobre o choro público... as dificuldades e perturbações da exposição... dou comigo a sentir a cadeira cizenta que apoia o corpo dormente de tristeza, os azulejos azuis da parede que fazem de ecrã principal dos olhos que não querem cruzar outros, para não sentir o ridículo das lágrimas que caem... como e porque caem?
Entrei naquele espaço com um objectivo, sair ajudada... na sala onde ninguém entre sozinho, ali estava eu entre pessoas acompanhadas, ao canto... o telefone toca, ou sou eu que decido ligar... não me recordo, recordo a conversa, recordo a queda da primeira lágrima e da segunda... entrei ali com o corpo cansado, preso numa tristeza viciante, alimentada ao segundo, pesado... a lágrima tranforma-se em choro compulsivo... arrumo o telemóvel na mala... ali fico sentada na mesma cadeira... passaram-se quatro horas... sinto os olhares cumplices de quem sabe aquilo o que é... os olhares estranhos de quem nunca saberá o que aquilo é... vou deixando a cada segundo, a cada lágrima... a libertação do que me prende... ficou ali, a última gota de um corpo de se colapsou, que explodiu em tristeza máxima e pura... ficou ali naquele espaço, no mundo, nos outros...
Agora percebo o meu... 6 de Março de 2009... terminou a terapia com a minha última exigencia e a última espera... hoje olho para a mensagem e transcrevo-a:
"Respota ao teu ÚLTIMO pedido: Ouvi a mensagem. Fica em paz!"
Fiquei...
Mais uma vez consegui... tenho direito a ser egocêntrica... sou mesmo um ser muito belo man... sério... dou comigo a pensar no que sofri, no que sinto hoje, que sinto que sentirei sempre... paz, porque cheguei ao fundo sozinha e dele sai... SOZINHA!!!
E fica o sabor a vazio e nunca conseguir transmitir o que já senti, de bom e mau... do quanto estive lá em baixo e o quanto me sinto cá em cima... momentos... são tudo momentos... como diria a F. quando tentei passar aquilo que sentia, o quanto estava a Emergir de mim própria, ela me disse: "Até quando miúda... até quando?! Gosto de te ver... mas confesso que receio, até quando!!" :) Na altura marcou-me as palavras, a expressão... ela não confia que sou capaz... mas hoje passado dois meses... sentada à mesa de jantar... partilhar com ela o eu... e sentir que mais que ninguém ela sabe que consegui... e que apesar de não saber, como ninguém saberá até quando, sabe porque sente como eu sinto que se não durar para sempre já não será pelos mesmos motivos que temia quando me questionou "até quando?"!!!!
Fico-me por aqui hoje... porque o sol já quer emergir... deixar para trás um dia para iniciar mais um ciclo... fecho aqui o meu tempo com o sentimento de que todos vós que se cruzaram comigo e permanecem em mim, independentemente da presença ou ausencia, estão comigo... e eu amo cada um de vós... porque me entreguei a cada momento partilhado... hoje mais egocêntrica que nunca, mas a amar-vos como nunca... porque de facto só se ama o outro quando nos amamos a nós próprios... e por me sentir tão única, sinto-vos únicas, porque não permito qualquer um servir-se de mim... AMO-Nos...
Porque o que de melhor tenho para oferecer é o meu ABRAÇO... abraço-te... porque é nele que me entrego... o melhor presente, a melhor partilha... abraça-me...
SUSPIRO... sou livre...

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