segunda-feira, 9 de março de 2009

Finalmente Livre!!

"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."
Lya Luft


Completamente só, a casa está um pequeno caos, mas quando elas voltarem vai estar tudo perfeito... mas definitivamente fez-me bem, estes dias, e ainda tenho mais dois para curtir a solidão, curtir o meu mundo apenas, tão bom, aprender a movimentar-me pelo espaço, percorrer o chão já pisado com outro andar...


Elas bem que me disseram, vai fazer-te bem (tinha medo) e fez... tudo começou na sexta-feita dia 6... desde então que não mais caiu um lágrima, e confesso que há muito não era tão feliz em tão poucos dias, andei à redescoberta de amizades passadas e a criar passado com novas amizades.


Dei comigo sexta-feira a acordar a chorar compulsivamente, disse-me ao espelho "Fodasse estou farta disto, olha para ti ser estúpido, reage!" sai de casa com a roupa que tinha no corpo de uma noite mal dormida e decidi vou ao médico, preciso de ajuda, procurei ajuda no médico, nela... mas a ajuda está em mim, sai do médico depois de 4horas de espera com os olhos inchados, e com uma receita de antidepressivos e droga para dormir, abro a porta do posto médico, acendo um cigarro sinto o sol nos olhos... "Fodasse abre os olhos miúda!!"... entro no carro quente que cheira a primavera... em silêncio olho a receita e penso, "man, não tenho dinheiro para ser depressiva!", penso em rasgar a receita, mas guardo-a como prova de que não a levantei, dirijo-me à faculdade e digo "quero anular a matricula"... saio e envio uma mensagem de voz, o último pedido, obrigada por me teres respondido... ligo a uma ex-colega de curso "Que fazes hoje? Janta lá em casa!"... Depois de 2 garrafas de vinho partilhadas a duas, depois de partilhar o tempo de ausência, cai no sofá (não precisei de drogas!), não me voltes a fugir miúda! Acordo no dia a seguir para ir trabalhar, o sol continuava a puxar-me... "Jantar em casa da Andreia hoje?" porque não? Bora lá! Lá estava eu no meio de uma multidão onde não conhecia quase ninguém, ou melhor no fundo ninguém, na casa de uma Andreia que até aquele dia não sabia o nome, mas que por sinal divide casa com uma italiana, bem interessante... enfim depois de algumas horas deixei de ser acesso há capacidade de armazenar informação, e só me recordo de entrar no carro e pensar será que há polícia... enfim... não encontrei pelo menos...


Domingo acordo com mãe "Então?Assim é que vinhas almoçar? És sempre a mesma coisa!" respondi "Vou já!"... ainda de olhos fechados pensei "Não mãe, já não sou a mesma coisa... Sou livre, sinto as minhas assas a crescer!"


Faz sol lá fora, as minhas mini asas desejam-no... deixo-me levar...

Obrigada a todos os que me ajudaram a semear... elas agora seguiram o crescimento natural...

Escrevi este post no trabalho, depois de ouvir na rádio a música Mundos Mudos dos Da Weasel...

"A vida corre tranquila, cada vez menos reguila

meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto

Para minha alegria e meu espanto

Pode ser que o passado fique por onde deve estar:

No pretérito imperfeito, já que não é mais-que-perfeito,

Este é um presente que eu aceito

Para atingir a tranquilidade

Que supostamente se atinge com a nossa idade

A verdade é que a saudade do que passou

Não é mais que muita...

Mas por muita força que faça ela passa por saber que

te vivi...

Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi

Agora."

Sem comentários: