quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Momentos 2008

O melhor e o pior... passei o dia a pensar nisto... difícil o jogo de puxar até à exaustão as memórias... então optei por ser sincera... e no fundo a "escolha" foi fácil... no fundo tudo se resume à forma como me marcaram pela intensidade, que não há necessidade de puxar do fundo do baú... porque está ainda aqui ao de cima...
Vou começar pelo pior momento... porquê? porque como em quase tudo guardo sempre o melhor para o fim... tal como num prato cheio, como primeiro o que menos gosto... estão a pensar mas esta está a falar de prato cheio, come e não sei quê... pois bem é apenas uma metáfora... porque o meu ano foi cheio também, gostei de tudo, mas há coisas melhores que outras...

PIOR
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Ligar o telemóvel numa manhã que parecia ser perfeita, depois de uma noite a apanhar pirilampos (minha primeira e única), vê-los voar pela casa, e ter avisos de contacto do meu pai e da minha mãe... pensar eles estão preocupados comigo... ligar para minha mãe e ouvi-la dizer, filha mãe tem uma coisa para te dizer, tens de ser forte, a mãe está forte... teu irmão partiu... as lágrimas que não se soltaram... as palavras que não saiam... o que é o teu irmão partiu?... não sei, ainda não sei bem... demasiado complexo para a minha capacidade... fazer uma viagem a alta velocidade caminho casa pais... sem saber para onde ia, ao que ia... chegar e aperceber-me que havia algo fora do comum... carros à porta... meu irmão partiu?! mas ele era o MAIOR... era o que supostamente ir-nos-ia proteger... lembro-me no percurso do portão até à porta de casa, ele dizer-me a mim "eu irei sempre proteger-vos (a mim e F.)", imaginar o corpo enorme à minha frente, as mãos... as mãos lembro-me tanto das mãos do meu mano... era maiores que eu... Entrei em casa... pai sentado sofá, enterrado sofá.... olhei em volta, pessoas... voltei olhar meu pai, e fui para colo dele... "Onde está mãe, pai?!"... "Está deitada, no quarto... deixa-a estar..."... levanto-me abraço mana... fico ali... ela chora... eu não consigo... o que aconteceu?!... vejo mano F.... troco olhar... (que se passa mano?)... mãe entra... e diz-me "então, já chegaste?... mãe, não acredita, não é verdade..."... olhar dela... senti... ele partiu.... mano Zé amo-te... até já...

MELHOR

Já era um bom momento aquele... tomar café com o ser mais belo... até que ela me diz... tenho minha agenda cheia, esta semana... queres ver?... e eu emocionada com mais uma pequena partilha, agarro agenda e abro-a... encontro aquilo, que foi o momento mais belo deste ano... um bilhete dos portishead... fiquei sem palavras a olhar a agenda, o bilhete... vejo que é só um... primeira pergunta, emocionada, compraste para ti, né?... ela diz não... perde-se algo, vazio... controlo-me (estavamos esquisitas)... mas estava esgotado?!, pergunto eu... ela conta-me a história de como conseguiu o bilhete... sério... fiquei tão emocionada... foi o mais belo presente que já recebi... com mais amor... pergunta em mim persiste, mas não havia mais?!... ela insiste... não, só havia um... cá dentro, algo dizia... tem de haver, tem de haver outro bilhete, para este momento ser perfeito... ela confessa... e aí, sim... era o momento... o melhor momento.

Que ficou em standby até ao dia do concerto... jantar, no tal restaurante do frango tão prometido... absorvo a felicidade dela, nunca a tinha visto assim... tão decidida... continuamos esquisitas... mas absorvo-a... Portishead entram em palco, faz-se silêncio, as palavras passam a sentidos... deixo-me levar... enfim... quando dou conta, estou subir uma escadaria, do Rossio ao Bairro Alto, ainda como que a planar numa emersão de paz... o corpo não resiste, as escadas servem de sofá... ali se fica, no conforto da felicidade... espera-se o autocarro que nos leva, ele demora... o corpo está podre, mas estou bem... finalmente, ele chega... sentadas... pernas esticadas banco da frente... e ouço... nunca fiz isto... nunca senti isto... Ser maior amo-te... até já...

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