
"O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões - a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim."
by Fernando Pessoa in Livro do Desassossego
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Estou bem... sinto-me em paz comigo... penso... penso mesmo muito... crio... crio mesmo muito... mas sei que não desistirei... de pensar... de criar... mas aprendo para além disso tudo, que nada mais é que pensar em mim, que quero agir por mim... remeter as acções para benificios próprios num espectro real... a ilusão existirá sempre... no fundo porque só assim sei existir... porque analiso tudo de uma forma exaustiva, crio para além do objectivável... visualizo bidimensionalmente um acto... mais que a palavra, o conteúdo da fala... integro o ser... o que o move... o que diz ou esconde por detrás do observável... é criar... é criar demais...
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Dirige-se a mim... pára atrás do meu lado esquerdo... diz olá... viro-me... olho... olá digo... cumprimento... como estás dizemos... bem respondemos... olhares afastam-se... encosto-me ao balcão... parte para a rua... onde fica um minuto... eu a ouvir uma mensagem enviada por outro alguém... (relato de um momento)
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Saiu do balcão... encostou-se à parede... acendeu um cigarro... ali ficou sozinha imóvel durante 3/4minutos... sinto alguém atrás de mim a chamar a atenção... olho sinto o sorriso incomodo de quem ousou procurar a minha atenção... o olhar após o cumprimento de quem tem de partir... a ida à rua, porque voltar para trás era assumir que ali foi de propósito... (análise de um momento)
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Enfim... porque faço isso... porque levo à exaustão as coisas... porque tenho sempre de exprimir tudo até última gota... porque sou assim... mas no fundo o que fica é ela veio cumprimentar-me, é explicito em ambos os parágrafos... seria mais feliz, feliz na perspectiva comum da felicidade, se me ficasse só pelo real... mas caio no erro de extrapolar... como consciencia critica que tenho, após extrapolar, censuro porque há uma grande margem de erro na análise efectuada... porque é pouco objectiva... apenas se baseia e fundamenta na minha óptica, na minha perspectiva... enfim... provavelmente, doi dizê-lo, naquilo que quero ver... por isso crio... mas acredito que não me engano... sinto que raras são as vezes em que as minha interpretações criativas fogem da realidade do ser, do movimento... mas estou numa fase que temo por tanto expecular e tentar perceber para além do palpavél... mas gosto, gosto mesmo muito...
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"A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida."
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by Fernando Pessoa in Livro do Desassossego
Por elas, as sensações, não desistirei... por elas sinto que devo continuar... porque sinto sintonia... porque sinto curiosidade... porque sinto que ali sentirei prazer... porque sinto que ela é mais do que já tive... porque quero ser uma rústica com um império... neste momento olho e vejo que é um império para mim... "lutarei" até que a sensação me faça sentir que afinal não o é... sou e serei, porque outrora já o fui... e mesmo sabendo que a sensação e a ilusão é algo pouco seguro, por experiência, que pode deixar-me perdida, continuo a crer nelas... são elas o fundamento da minha realidade é com elas em mim que parto para mais uma semana... para a resto da minha vida...
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Até já para ti, também, ser por descobrir...
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