sábado, 4 de abril de 2009

Estado bom...

“Não se dá peixe, ensina-se a pescar!”

Sinto que sempre me deram o peixe, nunca aprendi a pescar... no fundo a arte de pescar nunca tinha tido encantamento para mim, nem para o comum mortal, poucos são os que têm prazer em colocar o isco no anzol e esperar que o isco dê os seus efeitos, desses poucos que têm esse prazer, poucos são os que efectivamente conseguem pescar algo, mas não desistem, voltam ao rio ou os mais aventureiros ao mar para tentar novamente, tentar não porque tentar não é nada, tentar é para quem não quer efectivamente algo, no fundo aprendi que tentar não é sinónimo de fazer todos os possíveis para…
Quase todos nós já passámos pela experiência de um domingo de pesca… mas a grande maioria achou a experiência uma seca, outros engraçada “mas não tenho paciência”… é reflexo de que somos todos de consumo imediato, todos nós gostamos de peixe no prato e bem cozinhado, mas ninguém pensa no processo até aquele peixe chegar ao nosso prato… para quê pensar… para quê valorizar?

Estou numa fase de aprendizagem… prazer no processo de pesca do peixe desejado… ainda desejo muito pouco… estou mais objectiva… sinto-me triste porque sinto que sonho menos, mas estou bem com o facto de exigir menos do mundo de mim… faz com que me surpreenda mais facilmente com o que vou encontrando… é interessante observar-me nos outros… estou diferente, serei sempre eu, os princípios não mudam, a base manter-se-à sempre… mas estou mais confiante… mais que nunca assumo:

POUCO ME IMPORTA.
POUCO ME IMPORTA O QUÊ? NÃO SEI: POUCO ME IMPORTA.

Sou eu no mundo hoje… as coisas acontecem… acontecerão sempre… não há forma de evita-las, há apenas forma de as gerir… para que alimentar o filme de terror quando se tem a conta bancária a descoberto, e se tem o telemóvel, internet desactivadas por falta de pagamento? Para quê me consumir quando se tem a conta bancária a descoberto sem telemóvel e chegas onde estacionaste o carro ao final de um dia de trabalho e apenas vês o passeio vazio… “onde está o carro?”… vazio… sim senti… são só 90€, obrigada R… bora sair? É sábado… não vou ficar a lamentar… não alimento mais… não posso evitar… o que tem de acontecer acontecerá… cabe-me apenas gerir… aprendi a gerir… e as coisas têm-se sucedido… porque tudo é tempo… há que estar acordado para ver e receber aquilo que nos passa ao lado…

Sinto o presente como nunca… estou bem como nunca me senti… não é felicidade, porque isso é um estado difícil de atingir, confesso que temo não voltar a senti-la, porque a felicidade só se atinge com um estado brutal de inconsciência e irracionalidade… estou demasiado consciente e racional… mas estou realmente bem comigo, como o mundo… vazia sim, mais vazia que nunca, mas só se pode encher o que ainda não está cheio… como menos sonhos, sim com menos sonhos, mas os sonhos ocupam muito espaço, e deixam pouco para aquilo que o presente nos dá… não é perfeito, não!não é… mas a perfeição não existe… existem pessoas…

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