sábado, 10 de janeiro de 2009

Tão perdida


"Pouco me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa."

Alberto Caeiro, 1917

Não quero saber.
Não quero saber o quê? Não sei: não quero saber.

Estou num estado inquieto/passivo... não consigo adormecer, não consigo acordar... dois dias sem dormir... estou aqui podre, o corpo não aguenta... amanhã tenho de ir casa pais... não quero... também não quero ficar aqui... apetece-me pegar no carro e conduzir até adormecer ao volante... fumar cigarros até sentir sufocada...
.
Levem-me.
Levem-me para onde? Não sei: levem-me!

Perdi-me... novamente... pensava que nada podia ser pior do que aquilo que já tinha passado... mas é... ou não, talvez sinta que seja porque o que estou a sentir agora, sinto agora...

QUERO FICAR SÓ... deixem-me ficar só durante uns dias...

Apetece-me fugir.
Apetece-me fugir para onde? Não sei: apetece-me fugir.

Sinto-me senil às vezes... sem forças para vestir pijama... fico no sofá... espera que corpo colapse... telemóvel toca... não quero saber... deixem-me... não sei que vestir, não sei andar... estou bem... encarno a personagem, levanto troco de roupa... para parecer menos mal...

Cansada.
Cansada de quê? Não sei: cansada.
(talvez saiba... de mim...)

Amanhã tenho de acordar... não quero... já não quero acordar... não faz sentido... sério, olho para as pessoas, para as coisas e fico cada vez mais vazia... para quê acordar? A vida, ou a isso que chamam de vida, é um amontuado de minutos consecutivos de nós próprios... somos seres que não sabemos viver sozinhos, mas muito menos acompanhados... somos EGOISTAS... por isso não sabemos estar sós, temos de ter plateia... não sabemos estar acompanhados, porque estamos mais interessados em ser actores, do que plateia... andamos às cegas por aí... só temos olhos para nós próprios, sem excepção... sou pessoa de acreditar em excepções, mas nesta... enfim...

Morri-me.
Morri-me o quê? Não sei: morri-me.

Sem comentários: